//Apoio à “Radio Wa” de Uganda

Apoio à “Radio Wa” de Uganda

2012-01-05T18:52:59+00:00novembro 23rd, 2010|Projetos|

“Nós amamos você Robert. Por favor, volte pra casa! Dos seus familiares”… Esta e outras mensagens são regularmente ouvidas no programa para crianças da rádio católica diocesana “Rádio Wa”, de Lira no norte de Uganda.

As mensagens são para as crianças que foram seqüestradas pelos rebeldes do chamado “Exército de Resistência do Senhor” (Lord’s Resistance Army) e forçadas a se tornarem crianças soldados. Muitas das crianças que sobreviveram já não se atrevem a voltar para casa, depois de terem sido forçadas a matar ou mutilar vizinhos e até familiares dasua própria vila e ainda queimas suas casas. Ao fazer isto, os rebeldes esperam tornar impossível o retorno destas crianças para seus lares. Outras crianças simplesmente não se atrevem a tentar escapar de seus algozes.

Através da transmissão da rádio, a Igreja tenta dar-lhes a coragem de voltar para suas famílias. O programa infantil “Karibu”, (ou bem-vindo!), também apresenta ex-crianças soldados que conseguiram escapar, contando suas histórias e sobre sua nova vida, na esperança de encorajar outras crianças. Essas transmissões são escutadas, mesmo na mata fechada, e como resultado, ao longo do tempo, mais de 1.500 crianças soldados conseguiram fugir de seu cativeiro, porque a Rádio Wa deu-lhes a coragem para acreditar em uma nova vida. Os rebeldes ficaram tão furiosos que em setembro de 2002, eles atacaram a estação da rádio e atearam fogo nela. Mas o mastro da rádio não foi danificado e a Rádio Wa – “Nossa Rádio”, como o nome significa – continua a transmitir os seus programas, em um esforço para trazer a paz e a reconciliação em Uganda.

Por mais de 20 anos um conflito sangrento foi travado entre os rebeldes do LRA, sob o líder Joseph Kony, e tropas do governo de Uganda, se tornando uma das mais longas guerras no continente africano. Ainda hoje há uma grande necessidade de reconciliação, cura e reconstrução. Muitas vezes, mais da metade da população do norte de Uganda viveram em campos de refugiados, por medo dos sequestros e massacres, e as estimativas sugerem que aproximadamente 2 milhões de pessoas ficaram desalojadas, enquanto cerca de 30.000 crianças foram sequestrados para serem utilizados como soldados ou escravos sexuais dos rebeldes na selva.

Desde 2008 a situação se estabilizou, mas um acordo de paz fracassou quando Joseph Kony não se apresentou para a cerimônia de assinatura. Uma das exigências que ele fez, como condição para as negociações de paz, foi que o programa para as crianças da Rádio Wa fosse retirado do ar – aqui se vê claramente a ameaça que os rebeldes sentem ao ter o programa no ar.

Embora a Rádio Wa seja extremamente modesta no que diz respeito aos equipamentos usados, seu pessoal e seus recursos materiais prestaram um serviço inestimável à população. Por exemplo, ela também veícula uma novela de rádio semanal, em que questões tão importantes como AIDS, violência doméstica, casamento e questões familiares, o alcoolismo, retorno dos campos de refugiados e construção de uma nova vida, a busca da reconciliação, etc, são abordados num contexto interessante, mas sobre a base sólida da doutrina católica e os valores do Evangelho. Há também um programa que explica sobre os perigos da bruxaria, no qual os ex-praticantes explicam os truques que usavam para enganar as pessoas. Esta é uma questão que tem se tornado cada vez mais importante, especialmente porque tem havido numerosos casos de “rituais de magia”, em que as crianças são sacrificadas – muitas vezes, na crença de que o sacrifício vai trazer riqueza e conforto. A disseminação da Aids também tem contribuído para um crescimento da crença na feitiçaria, muitas pessoas ainda acreditam que esta doença mortal é o resultado de bruxaria, ou uma maldição.

Outros programas são dirigidos às mulheres, enquanto outros ainda falam com os presos. Às vezes, o próprio Dom Giuseppe Franzelli fala sobre temas polêmicos da atualidade. A rádio também tem uma facilidade para as transmissões fora, de modo que a comunicação ao vivo e comentários podem ser dadas através de serviços religiosos, eventos especiais e outras cerimônias. Atualmente, a estação tem um alcance de cerca de 120 milhas (200 km), de modo que muitas pessoas podem se beneficiar dos programas.

Até agora, o pessoal da estação de rádio tem trabalhado com equipamentos muito antigos. Os textos para as transmissões da rádio ainda são escritos no papel, a lápis, e a tecnologia para gravar e armazenar os programas também está desatualizada, tornando tudo mais trabalhoso, demorado e, claro, caro demais. Computadores tornariam muito mais fácil a preparação das transmissões. Além disso, o bispo Franzelli gostaria de ver sua equipe com melhor formação, a fim de que a estação possa oferecer um serviço ainda melhor do que já faz para o povo do norte de Uganda. Mas este povo é um dos mais pobres em todas as dioceses de Uganda e assim a rádio vive do mais essencial para funcionar. A AIS contribuirá na atualização dos equipamentos e formação pessoal dos que trabalham na rádio – verdadeiramente um sábio investimento na esperança para o povo de Uganda.

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