//O Sudão abre a porta para a misericórdia

O Sudão abre a porta para a misericórdia

2016-06-06T17:07:01+00:00junho 6th, 2016|Projetos|

Em conversa com a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), o bispo de Cartum, Dom Daniel Adwok, disse que o ano da misericórdia pode ajudar aqueles mais afetados pela guerra civil no sul do Sudão a encontrar a paz através do perdão.

Durante o Ano Santo, os cristãos são incentivados a se concentrar em Deusmisericordioso e a refletir sobre sua fé. Dom Adwok disse: “Muitos [refugiados] são pessoas feridas, muitos estão traumatizados, mas querem viver como seres humanos e não como gente que pode facilmente recorrer a vingança ou a pegar em armas para lutar. Eu penso que este é um apelo importante do Santo Padre e tenho certeza de que as pessoas vão reagir”.

O conflito no Sudão do Sul forçou mais de 1,5 milhão de pessoas a abandonar suas casas nos doze meses seguintes ao desenvolvimento da guerra em 2011. Comunidades inteiras fugiram para o vizinho Sudão para encontrar refúgio em um dos campos de refugiados controlados pelo governo do país. Embora estes campos ofereçam uma alternativa mais segura à violência no sul, Dom Adwok afirma que a vida é difícil para os refugiados. “Certamente os cristãos que lá permanecem não estão ameaçados, mas o fato de não serem considerados sudanêses, significa que eles não têm nenhum direito. Desamparados, eles não têm nada e podem perder a cidadania a qualquer momento”.

No início de 2016, Dom Adwok reuniu-se com os outros bispos do Sudão e do Sudão do Sul em Roma, e nessa ocasião foram recebidos pelo Papa Francisco e convidados a abordar a situação em suas dioceses. Durante o encontro, o Papa sublinhou a importância da formação dos catequistas, pois muitos cristãos estão espalhados por todo o país depois que o Sudão foi dividido. Dom Adwok explicou: “Ainda há paróquias vazias devido a falta de catequistas. Esta é uma das coisas que o Papa Francisco queria que os bispos do Sudão e do Sudão do Sul compreendessem”.

A fim de ajudar o número crescente de refugiados cristãos, quatro “missionários da misericórdia” leigos, foram eleitos em cada campo. Eles obtiveram permissão especial do Papa para administrar, ensinar o catecismo e espalhar a mensagem de misericórdia. O bispo explicou: “Eles são ministros leigos que ajudam a resolver conflitos entre os indivíduos ou famílias. Eles também ajudam a iluminar os corações para receber a mensagem de compaixão e do perdão de Deus, além de ser instrumentos de compaixão e misericórdia para com o outro”.

Dom Adwok acredita que esta é uma ideia maravilhosa para ajudar os cristãos afetados pela guerra civil: “Só o fato deles pedirem para perdoar… talvez faça com que sejam ouvidos. Acho que devemos ancorar esta mensagem na sua fé em Cristo nosso Senhor, que veio para nos salvar, e dizer-lhes que Deus está nos convidando para mostrar misericórdia e compaixão para com os irmãos e irmãs que nos ferem… Eu acho que isso é um grande presente”.

Sob o programa escolar “Salvar os que podem ser salvos”, da Arquidiocese de Cartum, a Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) apoia as crianças que estão em situação de vulnerabilidade devido ao conflito. A ACN concedeu subsídios a três escolas paroquiais nos subúrbios de Cartum para apoiar os professores e pagar as taxas escolares para crianças cujas famílias não tem condições de fazê-lo. Dom Adwok agradeceu a Ajuda à Igreja que Sofre por seu apoio ao Sudão e ao Sudão do Sul, e pediu aos benfeitores que continuem a rezar pela paz. “A oração nos mantém unidos e abertos para a paz e nos sensibiliza para as condições de vida dos outros. Eu acho que o que poderá realmente deixar mais perto uns dos outros é que todos nós levantemos nossos olhos e peçamos ajuda ao Senhor”.

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