//Na temporada de chuvas, o padre chega de lancha a motor

Na temporada de chuvas, o padre chega de lancha a motor

2012-07-13T15:12:23+00:00julho 13th, 2012|Projetos|

A Ajuda à Igreja Que Sofre apóia a construção de um pavilhão multiuso em um povoado afastado na Etiópia.

Hoje é um grande dia. Todo o povo de Poul se reuniu para dar as boas vindas ao Bispo Angelo Moreschi de Gambella. Cinco homens e cinco mulheres de idade avançada saltam e, como se fossem imunes à gravidade, dão uma meia volta no ar. Movem-se com grande ligeireza ao ritmo dos tambores. É incomum que dancem os mais velhos; normalmente é a juventude que dança, enquanto os anciãos ficam de espectadores.

O pároco Desaleng Doelaso explica: “De acordo com a tradição, as pessoas mais velhas dançam quando saúdam um chefe de tribo. Recebem-no diante do povo e o acompanham dançando. Hoje veio o Bispo, a quem corresponde a mesma expressão de respeito que aos chefes de tribo”.

Continuando, uma grande procissão de homens, mulheres e inumeráveis crianças acompanha o prelado até as obras, onde está sendo construído um pavilhão multiuso financiado pela associação católica internacional Ajuda à Igreja Que Sofre.

No futuro, aqui se reunirão os fiéis para celebrar a Santa Missa, para rezar, comparecer à catequese e outros programas de formação, e para outras atividades. Na região se constrói tradicionalmente com madeira e tijolo de barro; os edifícios são baratos, mas caem por terra poucos anos depois devido às chuvas, crescidas dos rios ou pelas térmites. Para que isto não aconteça, o pavilhão será um edifício sólido.

Os habitantes do povoado estão orgulhosos disso. Até agora, aqui não havia mais que árvores e cabanas pequenas, pois o povo se encontra situado literalmente no fim do mundo. Partes da «estrada» são intransitáveis, inclusive na estação seca. Quando, na temporada de chuvas, o rio Baro transborda, o povo fica isolado durante quatro meses; seus habitantes não podem chegar nem sequer aos povados vizinhos. “Nessa época, o pároco só pode chegar de lancha a motor”, afirma o Bispo Moreschi.

Até que esteja terminado o pavilhão, os habitantes do povo se sentam sobre a terra, sob as árvores, quando recebem a visita do sacerdote; hoje é o Bispo mesmo quem lhes fala. Muitos ainda estão se preparando para serem batizados. O Bispo Moreschi reza com eles o Pai Nosso e fala-lhes de Deus. Ao fundo, algumas mulheres amamentam seus filhos; na primeira fila, situam-se os anciãos do povo, que querem saber mais sobre o Evangelho.

Uma menina de aproximadamente um ano, sentada sobre o colo de sua mãe, mastiga uma das bolachas repartidas pelo Bispo; ela tem manchas chamativas na face e apresenta um aspecto doentio. Estes sintomas são causados por parasitas, o que não surpreende, pois eles se banham no rio e empregam essa água para tudo; é fácil imaginar quantas enfermidades são transmitidas assim. Enquanto que na Europa se debate sobre a maior pureza possível da alimentação infantil, aqui os bebês bebem água do rio, com todos os germes que ela tem. Mas não há outra solução: aqui, tudo gira em torno do rio.

Em Poul reina uma pobreza absoluta; muitas das crianças estão claramente desnutridos. No Vicariato Apostólico de Gambella, o chão é em princípio fértil; entretanto carece, por exemplo, de um sistema de irrigação que permita trabalhar os campos durante a temporada de seca. A isso será preciso acrescentar o fato de que investidores estrangeiros compram terrenos, sem que isto redunde em benefício da população.

À beira do caminho se vêem, uma e outra vez, mulheres com sacos de farinha na cabeça; embora seus filhos não podem alimentar-se só de farinha, isto já é um começo. As mulheres vêem do moinho que construiu a Igreja católica; antes não havia nada. A longo prazo, a Igreja seguirá construindo mais coisas para melhorar a vida das pessoas. “Ali onde vai a Igreja, tudo se torna fértil”, dizem muitas pessoas no Vicariato Apostólico de Gambella. Eles podem confiar nos sacerdotes; estes chegam até lá apesar do caminho dificultoso e na temporada de chuvas até de lancha a motor.

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