//Índia: um amor que não se aposenta

Índia: um amor que não se aposenta

2018-03-28T10:32:51+00:00março 27th, 2018|Projetos|

Eles dedicaram suas vidas a Deus e aos seus semelhantes, seguindo um caminho de grande renúncia. São sete sacerdotes que, há muitas décadas, deixaram para trás sua própria terra nativa, no sul da Índia, para trabalhar como missionários no norte do país. Eles vivem há mais de 1.600 quilômetros de suas cidades, tanto em termos geográficos quanto em relação à sua fé. Estes sacerdotes podem não ter mudado de país, mas eles tiveram que aprender uma nova língua e novos costumes neste vasto e culturalmente rico e variado subcontinente que é a Índia. E agora eles estão morando numa pequena casa para padres aposentados.

As dores da missão

Mas se seus corpos sofreram a devastação do tempo, seus espíritos não sofreram modificação. Eles continuam com o desejo ardente de encarnar a própria essência de sua vocação, servindo a Deus através de seus semelhantes, até a hora de sua morte.

“Minha missão foi e ainda é sofrer com Cristo”

Diz o padre Joseph Mattathilani, resumindo uma vida marcada por graves doenças, incluindo um tumor no cérebro. “Fiquei paralisado durante meses e, em determinado momento, eles me deram apenas três dias de vida”, explica. No entanto, ele irradia paz e serenidade, apesar de sua saúde frágil. “Minha mãe morreu quando eu era criança. Nossa Senhora foi quem cuidou de mim e me levou ao sacerdócio. Eu queria dar a minha vida por outras pessoas. O milagre foi poder receber tanto amor por parte de outras pessoas”.

De maneira semelhante, falando com alguma dificuldade, o padre George Theruvan recorda outros sofrimentos. Agora com 87 anos, ele recorda vividamente um dos ataques à sua missão, quando guerrilheiros colocaram uma pistola em sua cabeça e ele pensou que seu último momento havia chegado. “Comecei a orar e ofereci minha vida a Deus, pedindo para poder abraçar este momento em paz. Essas foram duas horas terríveis. Mas, então, depois de destruir tudo, eles foram embora novamente. Nem todos nos receberam de braços abertos; muitas vezes tivemos que recomeçar. Mas todos nós podemos realmente dizer que valeu a pena e que fomos tratados com muito carinho e gratidão pelas pessoas comuns“.

Pelas mulheres indianas

“Viajamos de um lugar para outro, passando uma noite em cada aldeia, onde explicamos o Evangelho e celebramos os sacramentos”, lembra o padre Sebastian Puthenpura. Ele também nos fala sobre o início de seu trabalho missionário. Este padre, que acaba de celebrar seu 85º aniversário, descobriu rapidamente “que nosso trabalho teria sido em vão se não tivéssemos nos preocupados com as mulheres. A Igreja não pode progredir sem aquelas que serão os futuros pilares da sua sociedade, nomeadamente as mães”, insiste. Naquela época, não era fácil convencer os pais a mandar suas filhas para a escola, nem é fácil até hoje nas áreas rurais mais pobres do estado de Bihar. O sul da Índia tem séculos de tradição cristã por trás, enquanto na região de Bihar a arquidiocese de Patna apenas celebrará o primeiro século de sua existência em 2019.

Mas “sempre e em tudo eu encontro meu apoio no Senhor”, acrescenta. Mesmo durante os tempos em que as dificuldades culturais comuns foram exacerbadas pela instabilidade na região devido à presença de terroristas e gangues armadas. “Uma vez fui a uma aldeia onde havia 11 meninas e ninguém estava disposto a mandá-las para a escola; eles achavam muito perigoso. A escola estava vazia. Mas então ocorreu-me que São José era o guardião do Menino Jesus, o vigiava e cuidava dele. Por isso, confiei a escola aos seus cuidados e dentro de dois meses já tínhamos cerca de 400 crianças”.

Vocação missionária: “Vou deixar o trabalho e irei viajar com o bispo”

Aos 90 anos, o padre Aloysius Sequeira é o mais antigo do grupo. “Tornei-me padre porque queria ser missionário. Para isso, viajei mais de 3 mil km para dar a vida pelo povo. Eu sabia que o Senhor faria o resto. Este ano completarei meu 60º ano no sacerdócio, e nunca me arrependi nem mesmo por um único dia”.

O Padre Sebastian pegou o fio da conversa nesse ponto e nos disse como ele havia tido um bom emprego e tudo o que ele poderia precisar para viver uma vida confortável e feliz no sul da Índia, até que um dia ele ouviu um bispo do norte da Índia falar sobre as missões. Ele se perguntou: “O que você faz para ganhar o mundo inteiro se você não tem Deus? Tudo o mais será em vão”. Ainda cheio de vitalidade, ele se lembra de como “eu fui falar com o meu pai e disse a ele: eu vou ser padre. Vou deixar o trabalho e irei viajar com o bispo. Isso foi há mais de 50 anos, e ainda estou ajudando o máximo que posso, acima de tudo ouvindo confissões, e eles também me chamam para ajudar no centro carismático espiritual para ajudá-los, porque não conseguem com a demanda. ”

Depois de tanta dedicação, agora precisam de ajuda

Muitos deles têm problemas de saúde agora, especialmente seus corações, que parecem desgastados depois de terem lutado e se importado tanto com as pessoas simples e comuns em tantas aldeias e áreas rurais das dioceses de Patna e Buxar. Graças a ajuda fornecida Fundação Pontifícia ACN, eles podem cobrir pelo menos uma parte de suas despesas médicas.

Eles são imensamente gratos à ACN e a todos os seus generosos benfeitores: “Somos missionários e estamos na linha de frente, mas você está nos apoiando em seus países de origem com suas orações e seu apoio financeiro que chegam para nós através da ACN. E assim, vocês também se tornaram missionários, para que possamos trabalhar juntos para a glória de Deus”.

A ACN fornece uma parte significativa de sua ajuda financeira a padres nas partes mais pobres do mundo (sobretudo na África e na Ásia). Para lugares muito pobres como a arquidiocese de Patna, isso representa um apoio indispensável, já que em muitas áreas miseráveis do mundo os sacerdotes não podem contar com o apoio do povo, pelo contrário, até mesmo têm que ajudá-los.

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