//Eu quero evangelizar os pobres, vivendo no meio deles

Eu quero evangelizar os pobres, vivendo no meio deles

2011-02-04T11:40:42+00:00fevereiro 4th, 2011|Projetos|

A cidade de São Paulo tem mais de 13 mil moradores de rua, além de mais de um milhão de pessoas vivendo nas favelas. Nesse meio, cresce a prostituição e o uso de drogas. Mas cresce também a presença de Deus através dos missionários da Aliança da Misericórdia.

O seminarista Efigênio é um dos 139 missionários consagrados que recebem a ajuda da AIS. Ele dá testemunho de sua profunda conversão e missão de amor.

AIS: Seria possível traçar um panorama geral da região onde realiza sua missão?

Efigênio: São Paulo, a maior cidade da América Latina é uma região desafiadora para a missão de evangelização. Apesar do enorme potencial econômico, é uma cidade marcada por profundas desigualdades sociais, onde o nível de pobreza é enorme, deixando milhares de pessoas vivendo em condições subumanas.

São cerca de 13.200 adultos moradores de rua e mais de 400 crianças. As ruas são usadas como local de apelo e ajuda, bem como saída para um suposto descanso sob o relento ou sob o teto de caixas de papelão. Em meio aos arranha-céus da cidade se encontram também muitos cortiços e algumas favelas, como outra opção de moradia precária.

Esta movimentada e conturbada cidade, tem também como característica o crescimento da prostituição e do elevado consumo de drogas, particularmente o crack, muito consumido entre os pobres e os moradores de rua, como saída ilusória à falta de condições.

Junta-se a esse panorama o consumismo, materialismo e hedonismo, fruto de uma faltade sentido autêntico de vida (a secularização).

AIS: Quais as principais dificuldades da região?

Efigênio: O grande desafio que temos encontrado é romper com as amarras da droga, do pecado, da ganância e de toda violência, já que grande parte daqueles que se encontram na rua foram capturados pelo vício e desesperança de uma vida nova. Queremos resgatar essas vidas, devolvendo-lhes a dignidade de filhos de Deus. Queremos anunciar a todos, superando os limites impostos pela realidade que vivem, que Jesus veio para que todos “tenham vida e vida em abundância”.

AIS: Quais os trabalhos desenvolvidos na comunidade?

Efigênio: A Comunidade Aliança de Misericórdia é um grande movimento de evangelização que busca atingir por meio da Palavra de Deus os que sofrem materialmente e espiritualmente. Estamos presentes em diversos ambientes:

  • Na evangelização nas ruas de São Paulo, onde fazemos a escolha de permanecer três dias com os moradores de rua, adultos e crianças, dia e noite para, por meio da Palavra de Deus, contagiar, salvar e resgatar vidas;
  • Na Fundação Casa (antiga FEBEM), fazemos o anúncio de Jesus, a Misericórdia do Pai que veio para os presos;
  • Nas madrugadas, com a evangelização noturna dos jovens nas baladas, das garotas de programa e travestis, anunciando que Jesus veio para salvar e não para condenar. Deus é amor!
  • Nas visitas a cortiços e favelas com uma evangelização porta a porta, levando o Amor de Deus aonde nada chega;
  • No encontro chamado Thalita Kum (Jovem Levanta-te), que consiste em um encontro de final de semana para jovens, levando-os a conhecer o verdadeiro Amor, aquele que brota do Coração de Jesus;
  • Na evangelização no mundo da política e meio empresarial, porque acreditamos que “ninguém é tão pobre que não possa doar nada, e ninguém é tão rico que não tenha nada a receber”. Procuramos ser ponte de misericórdia entre pobres e ricos; cidade e periferia, pessoas cultas e incultas.
  • Esta evangelização tem como objetivo “Evangelizar para transformar o evangelizado em evangelizador pelo testemunho da Misericórdia”.

AIS: Quais são os obstáculos enfrentados na Evangelização?

Efigênio: Nos parece ser um único obstáculo: a falta de recursos financeiros para evangelizar mais e melhor. Sendo uma comunidade missionária, sempre cresce o desejo de anunciar Jesus, o Salvador. E este anúncio nos exige condições apropriadas para atingir o maior número de pessoas, com mais eficácia.

AIS: Falando sobre sua vocação, pode nos contar um pouco sobre sua vida, como despertou sua vocação e como conheceu a Aliança da Misericórdia?

Efigênio: A minha vocação foi despertada quando tinha 26 anos. Num pequeno grupo de Jovens me falaram que Jesus me amava e aquilo me contagiou. Eu sofria há mais de três anos de depressão, bebia muito e não tinha alegria no meu coração. Quando fiz a experiência do Amor de Deus, sentia a vida pulsar em todo o meu ser. Fui me entregando mais e mais. Com este grupo, no pequeno bairro de São Paulo que vivia com a minha família, fazíamos visitas às favelas para socorrer as famílias. Encontrei uma família, com filhos pequenos sem nada em casa para comer. Também me sentia atraído a todos aqueles que sofrem, principalmente os irmãos de rua. Lembro-me que, saindo da fábrica na qual trabalhava, me deparei com um irmão embaixo de um ponto de ônibus. Parei, me aproximei e abaixei para perguntar como ele estava. Foi muito forte para mim quando ele me revelou que fora atropelado e sofria muito. Coloquei a mão na carteira e entreguei a ele um dinheiro. Era tudo que tinha naquele momento. Saí chorando com uma certeza no meu coração: “Eu vi Jesus”. Neste tempo ajudei numa casa de soro positivo, com trabalhos e orações. Nunca pensei em ser padre, mas a vocação missionária sempre me atraiu. A minha surpresa foi num encontro para jovens, em que o pregador falava do Padre Pio, quando escutei claramente a voz de Jesus que me chamava: “Vem e segue-me!” Este chamado até agora ressoa em meu coração. Nunca tive dúvidas a partir da tomada de decisão: “vou ser padre!” Comecei o meu caminho de discernimento. Mas onde Jesus me quer para servir? Tinha uma certeza: era em um lugar em que eu poderia servir os pobres e evangelizar. Outro aspecto é que teria que ser uma comunidade de acolhida dos pobres e evangelização dos jovens. Na época, em 2004, já conhecia o Pe. João Henrique, sabia que ele tinha começado uma obra, mas não conhecia o carisma. Procurei-o para que me ajudasse e ele pediu que me aproximasse da Aliança. O meu primeiro contato foi com a fraternidade Belém, na favela do Parque de Taipas, região periférica de São Paulo. Era um barraco na favela, onde os missionários que lá viviam, viviam como os pobres, para evangelizá-los. Foi como uma flecha que atingiu o meu coração. Eu dizia para mim mesmo: “eu quero evangelizar os pobres, vivendo no meio deles.” Outra experiência decisiva foi a experiência na Casa Naim, uma casa de crianças e adolescentes vindos da rua que a Aliança mantém. Na época mais de trinta e cinco meninos de rua, que cheiravam cola no centro de São Paulo, foram acolhidos em uma casa. Tendo experimentado o amor de Deus e dos missionários, foi uma explosão de alegria, onde encontrei o que estava dentro de mim: o desejo de anunciar o Amor Misericordioso de Deus aos mais pequeninos.

AIS: Na sua vida de missão qual a história que mais lhe tocou? Se puder nos contar, qual a maior dificuldade enfrentada?

Efigênio: O que mais me tocou foi a evangelização na Cracolândia, região central de São Paulo, onde se concentra o consumo e tráfico do crack, onde me deparei com inúmeros jovens, homens e mulheres rastejando como bichos pelas calçadas, todos sujos, magros, procurando pelo chão pedras de crack. Fui tomado por uma dor profunda pois não era possível aceitar que aquelas pessoas vivessem daquela maneira, era preciso fazer alguma coisa!

A maior dificuldade e sofrimento é perceber nosso limite em não poder acolher tantos que clamam dia e noite por salvação!

AIS: O que é ser missionário para você? Como é evangelizar com tantos desafios, evangelizar em um mundo secularizado?

Efigênio: Para mim é a maior alegria e a grande realização da minha vida. É a possibilidade de me encontrar com os que choram; é ser enviado por Jesus aos pequeninos; é dar a vida para os irmãos que sofrem, como Jesus fez, e ser sinal de misericórdia para o mundo.

Os desafios não são obstáculos para mim, mas impulsos para me doar mais ainda aos outros. A secularização que é um fenômeno de esvaziamento do sentido da vida, chega ao seu ápice na perda do sentido mais pleno: que é Deus. Mais que a força da secularização temos o esplendor do Evangelho. Ele é a Luz que ilumina as trevas. “Jesus é a Luz do mundo”. O que temos que fazer é resplandecer Jesus em meio às trevas. E isto se dá pelo Anúncio explícito do Amor de Deus pessoalmente e individualmente por nós e do testemunho de Jesus: “Não tem maior amor do que dar a vida pelo seu irmão”.

AIS: A AIS é uma associação católica internacional que auxilia projetos da Igreja Católica em mais de 140 países, para tanto, ela conta com a oração e a ajuda financeira de seus mais de 700.000 benfeitores no Brasil e no mundo. Ou seja, graças ao amor de nossos benfeitores que, a exemplo de nosso fundador, Padre Werenfried van Straaten, “enxugam as lágrimas de Cristo onde quer que Ele chore”. Que palavras teria para estes nossos benfeitores?

Efigênio: Trago em meu coração um sentimento de imensa gratidão. Cada benfeitor é um anunciador do Amor e da Misericórdia do Pai. Toda a assistência aos projetos que a AIS realiza é fruto da bondade e do amor de Deusaos pequeninos. Posso afirmar sem receio que cada um de vocês são como aquele menino que apresenta os cinco pães e dois peixinhos para uma multidão que desfalece pelo caminho. Jesus multiplica o que cada um apresenta a Ele para saciar a fome e a esperança de uma multidão de irmãos nossos em todo o mundo. Meu muito obrigado! Pelo fruto da boa obra realizada por meio de cada benfeitor, que Deus retribua com generosidade.

3 Comments

  1. Helvio Campos 14 de fevereiro de 2011 at 02:48 - Reply

    Como são belos os pés dos mensageiros que anunciam a paz, que anunciam Jesus.
    Obrigado Senhor porque ainda envias bons operários, para esta messe tão carente de Deus.

  2. claricinda da silva baldo de sousa 30 de março de 2011 at 16:04 - Reply

    Agradeço muito a Deus por ajudar a sua obra atraves da AIS. Esta obra, se depeder da miha pessoa, nunca termiará, porque fiz dela miha casa. Amém.

  3. james 22 de novembro de 2011 at 12:05 - Reply

    infelismente poucas são as pessoas boas , a grande maioria ñ tem um bom coração e tão pouco tem o coração voltaddo ou aberto a evangeliação , são ruims e individualistas e fazem o mal sempre que tem uma oportunidade , eu honestamente ñ acredito mais nas pessoas , eu trabalho com o publico a 15 anos , ja evangelizei tbem , mas a una coisa que vi e recebi , foi maldade , desonestidade e arrogancia , infelizmente meus irmão o mundo e esta mas mão do mal .

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