//Egipat House: Orfanato do Amor

Egipat House: Orfanato do Amor

2017-01-18T12:30:53+00:00agosto 24th, 2016|Projetos|

Katarina folheia o álbum de fotografias dos últimos 20 anos, acompanhada das irmãs Admirata e Manda. Mas logo sua alegria é manchada pela melancolia. As fotografias guardam memórias dos vivos e felizes dias da infância. Agora ela se prepara para uma etapa nova de sua vida. Katarina é a filha mais velha do orfanato “Egipat House” da ordem Irmãs Servas do Menino Jesus. Seus pais eram refugiados durante a guerra na Bósnia e não tinham nenhuma condição de cuidar dos filhos. A solução provisória foi deixar Katarina e seu irmão mais velho, Stipo, com a avó. “A senhora estava muito sobrecarregada com a criação das duas crianças,” irmã Admirata recorda, “e por isso as trouxe para cá.” Katarina tinha dois anos de idade, quando foi morar com as freiras e agora, com dezenove anos, se prepara para deixar o orfanato, que se tornou a sua casa. “Fico um pouco nervosa quando penso como será a vida lá fora”, diz ela. Irmã Admirata não vacila ao afirmar que “Katarina está bem preparada para o mundo adulto.”

Admirata é a irmã superiora que dirige o orfanato e mais um jardim de infância no convento em Sarajevo. No hall do prédio, uma pintura em tamanho natural faz memória à Dom Josip Stadler (1843 – 1918), para quem o convento deve sua existência e sua base espiritual. Josip Stadler não só fundou a ordem religiosa em 1890, mas também se tornou defensor das crianças necessitadas ao fundar orfanatos considerados exemplares. Na época, as freiras escolheram dar a seu convento o nome de “Egito” para recordar a fuga do Menino Jesus do tirano Herodes.

Hoje, as irmãs podem olhar para trás e ver na história um tempo que era rico em bênçãos, mas também tempestuoso, e que, em completa contradição com o espírito benigno de Josip Stadler, também foi muitas vezes marcado pela destruição e ódio. A ordem foi desapropriada em 1949 sob a ditadura do partido comunista da República Popular Federativa da Iugoslávia. O edifício conventual foi interdidato, as crianças foram tiradas das freiras e colocadas em instalações estatais. “A fé não mais desempenhava papel na educação”, diz a irmã Admirata. “Você não estava autorizado a falar com seus filhos sobre Deus.”

Em 1992, no início da Guerra da Bósnia, forças armadas sérvias em bombardeio levaram o prédio ao chão. No entanto, ele foi reerguido das ruínas. Admirata junto de mais doze freiras, que são assistidas pela Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), são felizes por terem fundado o primeiro orfanato pós-guerra na Bósnia, em 1999. Hoje, 55 meninos e meninas estão na creche, enquanto 19 crianças vivem no orfanato em tempo integral. As crianças que perderam seus pais, ou cujos os pais não tem condições de criar os filhos, encontraram ali um lar. Irmã Admirata diz: “Nossas crianças do jardim de infância, na sua maioria, vêm de ambientes sociais muito difíceis, mas temos ainda outros contextos. Temos também aqui filhos de diplomatas e de famílias de classe média aqui. “

O irmão de Katarina Stipo já deixou o orfanato. Ele recebeu formação para mecânico de automóveis e agora está trabalhando em um projeto agrícola da Igreja, na região de Cardak. Depois de nove anos de escolaridade, Katarina também completou a formação que a torna numa assistente de vendas e vitrinista. “Espero encontrar um bom trabalho.” Suas chances de ser empregada são boas. As freiras agora estão ajudando a jovem a encontrar um lugar para morar acessível em Sarajevo. O que não é uma tarefa fácil. No entanto, Admirata transpira confiança, “Nós vamos encontrar uma solução em conjunto.”

Duas crianças muçulmanas recém chegaram no orfanato: Melissa com 7 anos de idade e seu irmão Omer, que é um ano mais velho. A mãe foi embora, deixando os dois sozinhos. Seu pai tomou outra mulher e os irmãos acabaram ficando com o avô. Não conseguindo criá-los, o senhor procurou as Servas do Menino Jesus pedindo ajuda. E não foi em vão. Hoje, Omer e Melissa estão frequentando a primeira série na escola primária católica e estão se desenvolvendo muito bem. Ao aceitar muçulmanos, bem como crianças ortodoxas na “Egipat House”, as freiras agem em total conformidade com a filosofia do fundador de sua ordem. Josip Stadler era considerado o “pai dos pobres” por pessoas de todas as religiões e denominações. As Servas do Menino Jesus também não separam as crianças por religião. “Nós estamos aqui para cuidar das crianças que precisam de nós”, diz a irmã Admirata.

As Irmãs Servas do Menino Jesus é um dos projetos que a Ajuda à Igreja que Sofre apoia. Muitas famílias, pais e principalmente crianças, encontraram nas irmãs a face acolhedora de Deus. Em nome delas, mas sobretudo das crianças, como da nossa jovem Katarina, muito obrigado por você ter as ajudado e dado um futuro.

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