“Cada dia as pessoas vêm à procura de uma palavra de aconselhamento e esperam que o sacerdote seja como a luz que eles buscam”

Os fieis da paróquia de Santa Cruz na Chapada do Norte, nordeste brasileiro, dispõem de uma profunda vida de fé. Uma das maiores festividades do ano para eles é a festa de Nossa Senhora do Rosário. Muitas de suas músicas e danças retratam seus antepassados na África – mais de 80 por cento dessas pessoas são descendentes de escravos africanos. O Português que falam é misturado com elementos de línguas africanas. Sua cultura é muito alegre e colorida, uma característica especialmente popular são os Batuques – que eram populares no Brasil antes mesmo do samba se tornar conhecido.

Mas a fé viva e o espírito alegre dessas pessoas não podem esconder o fato de sua extrema pobreza. Muitas crianças estão subnutridas e muitas morrem na infância, e aqueles que sobrevivem, apenas poucos desfrutam de uma educação adequada. O analfabetismo tira toda perspectiva de sucesso para estas pessoas e as afunda ainda mais numa pobreza maior, e a sensação de desespero traz consigo o alcoolismo, a tóxico-dependência e uma elevada taxa de AID’s. Os jovens simplesmente ficam nas ruas enquanto outros sonham com uma vida melhor nas grandes cidades, porém muitos deles acabam desiludidos nas favelas sempre crescentes.

O pároco, Padre Luciano Franco Ramalho também nos fala do chamado “viúvas de maridos vivos”, como ele diz – as esposas dos homens que migram para as grandes cidades como São Paulo, em busca de trabalho. A maioria destes maridos, mais cedo ou mais tarde acabam por não enviar mais dinheiro para casa, algumas vezes por já terem constituído uma nova família, deixando suas esposas e filhos em situação de pobreza em casa. Por sua vez, estas mulheres abandonadas não vêem outra alternativa para se sustentar e aos seus filhos, muitas vezes numerosos, que a prostituição.

Padre Ramalho escreve: “Como sacerdote, eu faço o que posso aqui. Eu cuido das pessoas, ajudo elas, ouço elas e amo este povo. Eu celebro a Santa Missa em 45 comunidades rurais, onde eu tenho que dirigir por vias sem asfalto e em péssimas condições”. Ele visita os idosos e os doentes, organiza grupos de pastoral juvenil e grupos de crianças, oferece ajuda para crianças desnutridas e organiza aulas de catequese. Mas ele tem um problema, na medida em que não há um local apropriado para esses grupos se encontrarem, se reunirem.

Certamente isto não superará a grande pobreza da região do dia para a noite, mas as famílias que permanecerem unidas não cairão no caos, e os jovens, que levam a Boa Nova de Jesus Cristo em seus corações, não perderão seu fundamento e serão menos propensos a cair nas drogas, crime e todas as outras coisas que destroem as suas vidas. Mas o único lugar que o padre Ramalho tem disponível é uma pequena e mal construída casa em ruínas, onde ele vive, e que também serve como seu escritório paroquial e sala de recepção. É totalmente inadequado para encontros de catequese, grupos e outros encontros, mas a paróquia é simplesmente pobre demais para ser capaz de suportar eventuais gastos para adequações do espaço por si só.

O plano é demolir parte da casa e construir salas para aulas de catequese e outras reuniões, e também uma sala em que o padre pode aconselhar aqueles que vêm a ele precisando de ajuda. Porque, como ele escreve: “Cada dia as pessoas vêm à procura de uma palavra de aconselhamento e esperam que o sacerdote seja como a luz que eles buscam”. Ele precisa de nossa ajuda, para que possa ajudar essas pessoas que foram confiadas aos seus cuidados.

Queremos apoiar o Padre Luciano Franco Ramalho, que está fazendo tanto em circunstâncias tão difíceis, para trazer luz para o povo de Chapada do Norte.