//Após ataques de rebeldes, AIS ajuda Diocese de Bambiri

Após ataques de rebeldes, AIS ajuda Diocese de Bambiri

2015-02-18T19:04:45+00:00 Fevereiro 21st, 2015|Projetos|

A República Centro Africana tem uma população que é em sua maioria cristã ou animista, mas há uma minoria expressiva muçulmana de 15%. As relações entre as comunidades das várias religiões eram pacíficas. Entretanto, depois que o presidente muçulmano Michel Djototima subiu ao poder, graças a um golpe de estado em 24 de março de 2013, com enorme ajuda da coalizão entre os rebeldes muçulmanos do grupo Seleka, o país começou a ser aterrorizado pelos rebeldes, que são entre 20 e 25 mil militantes armados.

Os rebeldes invadem aldeias e cidades e sobretudo vão entrando nas dioceses, paróquias e missões e roubam tudo que desejam – carros, computadores, suprimentos médicos, combustível e alimentos. Algumas dioceses ficaram sem nenhum veículo para desenvolver seu trabalho pastoral. E aquilo que os rebeldes não roubam, eles destroem. Não hesitaram nem mesmo em saquear centros para pessoas com necessidades especiais e orfanatos. Houve saques, destruições, raptos, estupro de mulheres e massacres por todos os lados.

Depois disso, o país se transformou num trágico exemplo do que acontece quando uma parte da população se torna culpada coletivamente pelas atrocidades cometidas por um pequeno grupo dela. Nesse caso, a minoria muçulmana nativa foi a acusada. Apesar dos líderes cristãos e muçulmanos terem feito todo o possível para impedir que o ódio fosse fomentado entre os grupos religiosos, um movimento de oposição ao Seleka começou a ser formado a partir do outono de 2013. Este movimento se auto-denomina “anti-Balaka” (que significa anti machados). No início, eles só queriam proteger suas aldeias e cidades. O movimento cresceu e acabou saindo completamente do controle, passando a se vingar em massa sobre toda a população muçulmana. Alguns órgãos da imprensa estrangeira dizem que eles são uma milicia cristã, mas isso é falso. A Igreja se distanciou completamente dela ao passo que se tornou também uma ameaça à paz. Na verdade, como os líderes da Igreja afirmam sempre, os membros destas milícias são em sua maioria animistas e alguns são cristãos só de nome. Eles só são não muçulmanos.

Atualmente, o país se dividiu entre os Selekas e os anti-Balakas. Os anti-Balakas controlam toda a parte ocidental do país e os Selekas controlam a parte oriental. Continuam a ocorrer explosões de violência. A situação continua a ser bastante instável. Mas o pior está acontecendo na região fronteiriça entre as duas facções. A diocese de Bambari fica situada exatamente nessa região de fronteira. Em julho de 2014 os rebeldes do Seleka praticaram um massacre na cidade. Eles atacaram o complexo de edifícios católicos onde fica a catedral e onde cerca de 12.000 pessoas haviam se refugiado. Eles mataram 20 refugiados e raptaram mais 20. E causaram muitos estragos nos prédios e queimaram os veículos. Ao fugir, eles roubaram alguns veículos, os computadores do escritório da diocese e o estoque de remédios que ela distribuía aos doentes e pobres da cidade. Este foi apenas o último de uma série de ataques sofridos por esta diocese. Como resultado, os sacerdotes e funcionários ficaram literalmente sem nada para poder continuar seu trabalho.

Um dos carros roubados era da diocese. Ele teve problemas com o motor e foi abandonado na estrada pelos rebeldes, não sem antes “depenarem” o carro, levando todas as peças que puderam. O carro ficou abandonado na estrada. O bispo de Bambari se dirigiu à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) para pedir ajuda a fim de consertar o carro e colocá-lo a serviço de novo. Não é fácil colocar o carro em ordem na República Centro Africana. As peças de veículos, tal como muitas outras coisas estão sempre em falta e precisam ser importadas. A AIS se comprometeu em ajudar com aproximadamente 15.000 reais para o conserto do carro.

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