//AIS apoia os cristãos refugiados dos ataques do Boko Haram na Nigéria

AIS apoia os cristãos refugiados dos ataques do Boko Haram na Nigéria

2014-10-30T13:51:08+00:00outubro 28th, 2014|Projetos|

A Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) prestará auxilio às pessoas que fugiram dos ataques do grupo terrorista islâmico Boko Haram, no norte da Nigéria, em resposta a um pedido do Bispo da Diocese de Maiduguri (no nordeste da Nigéria), Dom Oliver Doeme. A AIS acaba de aprovar um pacote de ajuda para assistência às pessoas refugiadas em sua Diocese.

Desde 2009, a Diocese de Maiduguri é a mais afetada pelo ataques do Boko Haram. Os três estados nordestinos da Nigéria (Borno, Yobe e Adamawa) são praticamente o centro das atividades do grupo islâmico e a Diocese de Maiduguri abrange quatro quintos destes estados. Desde 2009, muitas estruturas eclesiais – casas paroquiais, escolas e hospitais – empresas, lojas e casas de leigos foram destruídas e mais de 80.000 pessoas fugiram de suas aldeias ancestrais para buscar refúgio em outros locais.

Até agora, o Exército nigeriano tem sido incapaz de proteger os civis, dada a superioridade técnica do Boko Haram, a expertise e a capacidade de resistência da sua luta. Em vez disso, os militares estão fugindo e incentivando os civis a fazerem o mesmo. O governo parece incapaz de proteger a vida de seus cidadãos e há uma total incoerência entre o que eles publicam nos meios de comunicação nigerianos e a realidade no território. Como consequência da tomada quase sem resistência de muitas vilas e cidades do nordeste do país, milhares de refugiados estão vivendo em cavernas nas montanhas ou na selva ou têm sido acolhidos por amigos e parentes de Maiduguri, Mubi e Yola. Milhares de pessoas foram deixadas na antiga região dos Camarões Britânicos e sobrevivem em condições difíceis devido à falta de comida, abrigo e medicamentos.

Essas pessoas deslocadas precisam urgentemente de água potável, alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos. Em uma conversa com a AIS, o Bispo de Maiduguri, Dom Oliver Doeme, lamentou que o governo nigeriano não esteja fornecendo-lhes o que eles precisam para sobreviver: “Dada a situação política no país, os fundos destinados às vítimas do terrorismo raramente alcançam as pessoas que realmente precisam deles. A Igreja está se esforçando para fornecer toda a ajuda possível: a diocese de Maiduguri distribuiu materiais de ajuda entre os mais de 1.500 deslocados e colabora com a Diocese de Yola para ajudar aqueles que se refugiaram lá. No espírito do ecumenismo, vimos também em Maiduguri refugiados que, na sua maioria, são cristãos de outras profissões”.

Mas a verdade é que a Igreja tem sido severamente afetada pela crise financeira e já fez todo o possível, como Dom Oliver Doeme acrescentou, “Nós precisamos desesperadamente de ajuda externa para aliviar a situação dos deslocados e especialmente das crianças atualmente fora da escola e mais vulneráveis às doenças, elas enfrentam um futuro incerto”. De acordo com Dom Doeme, “Pessoas morrem todos os dias e, na maioria dos casos, falta um enterro decente, seus corpos são degradados a céu aberto. Suas casas e propriedades foram saqueadas; muito foram convertidos em escravos e prisioneiros em sua terra natal; o atual governo não pode proteger as vidas de seus cidadãos e, de fato, a vida se tornou tão barata que pode ser tirada a qualquer momento. Costumamos pensar que o sal é o produto mais barato no mercado. Bem, a vida é agora mais barato, especialmente no nordeste da Nigéria”.

Dom Doeme ressaltou que tanto muçulmanos quanto cristãos são afetados pelo terror semeado pelo Boko Haram e acrescentou que “mantem-se um tom religioso a toda essa confusão. Nós podemos fugir desta realidade, podemos permanecer em silêncio e ser incapazes de denunciar o plano de islamização Nordeste e, eventualmente, de toda a Nigéria. No entanto, o que estamos testemunhando no norte Adamawa é a clara confirmação dessa ação. Boko Haram tem recrutado à força muitos jovens que atualmente estão treinados na base móvel de Limankara tomada por islamitas. As mulheres que não conseguiram escapar são forçadas a se converter ao Islã e se casar com terroristas; e alguns dos idosos que não puderam fugir foram mortos ou deixados para morrer de fome. Este é o destino de cada cidade ou vila que caiu em suas mãos. Assassinato, destruição, saques, casamento forçado, recrutamento forçado, conversão forçada ao Islã e imposição da Sharia e do Califado: nisto se resume a atividade”.

Dom Doeme não está otimista sobre o futuro. Segundo ele, “uma das principais preocupações é não saber quando os membros do Boko Haram serão expulsos dessas áreas para que nosso povo possa voltar. Oramos para que em breve, mas certamente ninguém sabe quando”.

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