//Agir na base da confiança

Agir na base da confiança

2015-08-20T17:06:04+00:00agosto 20th, 2015|Projetos|

Aleksandr Mien era um homem do ecumenismo, do diálogo. No antigo escritório de trabalho desse sacerdote da Igreja Ortodoxa Russa, assassinado em 1990, cheio de livros, encontram-se ainda hoje imagens dos santos: Francisco de Sales, Maximiliano Kolbe, Francisco de Assis, Antônio de Pádua e João Paulo II, no “canto belo” da sala. O amigo do Padre Werenfried almejava a unidade das Igrejas.

Essa unidade e sua premissa, o diálogo entre crenças e religiões, é também o que interessa ao Instituto Bíblico-teológico de Santo André Apóstolo, em Moscou. Seu objetivo é a formação e o aprofundamento teológico de professores, tradutores, editores, escritores e jornalistas, bem como a promoção do diálogo entre Igrejas irmãs. Para isso o Instituto convida para um curso de verão, todos os anos desde 1999, preferencialmente para estudantes e intelectuais que, de outra forma, não têm ocasião para um aprofundamento. Muito frutuosos são sobretudo os diálogos entre participantes ortodoxos e greco-católicos. Pois além das aulas de História da Religião, Liturgia, Filosofia e Exegese Bíblica, os cerca de 50 participantes da Ucrânia, Belarus, Quirguistão e Rússia podem compartilhar suas experiências em grupos de trabalho e colocar suas questões ao vivo. Algumas perguntas são propostas pelo próprio Instituto: Qual o espaço que nós damos ao Espírito Santo em nossa vida pessoal? Como aplicamos o Evangelho concretamente em nossa vida? Qual a nossa posição diante de Movimentos carismáticos nas nossas Igrejas?

Um intercâmbio desses é um trabalho ecumênico de raiz. Ele cria uma base de confiança, sem a qual não é possível realizar a aproximação das Igrejas cristãs. A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apoia esse trabalho. O Diretor do Instituto, Alexei Bodrow, que reconhece em Aleksandr Mien um pai espiritual do Instituto e quer continuar a sua obra de reconciliação, mantém bons contatos com o Conselho para a Unidade dos Cristãos em Roma e com o Patriarcado de Moscou. Para leigos e teólogos, ele encarregou dois padres jesuítas em Roma de traduzir um Dicionário de Teologia a fim de reavivar a discussão e o aprofundamento na Rússia, no espírito do ecumenismo. Esse projeto é igualmente apoiado pela AIS através de seus benfeitores. Também outros livros, por exemplo sobre o Papa Francisco, servem a esse propósito, e mostram como se pode viver da própria fé e da reconciliação. Aleksandr Mien formulou assim o consenso mínimo para esse trabalho: “Amar o que é meu não significa odiar o alheio.” Isso, há 25 anos atrás. Hoje, poderíamos formulá-lo desta forma: Amar o que é meu e conhecer cada vez melhor o alheio.

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