Sim, vida é o bem maior que possuímos. Deus a origem primeira e o fim último de toda vida. Deus, em seu eterno amor pela humanidade, quer nos dar vida plena. Aliás, o amor de Deus pela humanidade não tem limites. É imensurável. A vida que Deus Pai quer partilhar conosco no agora do tempo é antes de tudo Ele próprio, o amor de Jesus e a vida no Espírito Santo.


Cristo nos revelou que a vida humana é o santuário maior de Deus no tempo. “Vocês não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá pois o tempo de Deus é santo e esse templo são vocês” (1Cor 3,16-17).

Da concepção no útero materno até a hora da morte natural a vida é o grande bem a ser preservado, defendido, assumido e amado. Por isto mesmo, todo tipo de exclusão ou manipulação da vida humana, seja quais forem os motivos, é irreversivelmente exclusão de Deus. Claro existe a legítima defesa. Mas Deus não exclui ninguém. Ele nos ama além de nossos méritos ou não méritos.

O amor a Deus e o amor ao próximo fazem parte do projeto de Deus para a vida. São partes constitutivas do primeiro mandamento de Deus e da Boa Nova de Jesus. A vida está no coração do projeto de Deus, de Jesus e da Igreja. Ela não tem preço. É um valor inegociável. Disto a Igreja não abre mão. Deus é o dono absoluto da vida.
Com a encarnação de Cristo, que é verdadeiro Deus e homem, a vida humana foi elevada em sua dignidade suprema. Nada justifica sua manipulação. Por isto mesmo, jamais haverá verdadeiro amor a Deus sem a defesa de toda vida humana. Não há outra escolha.

Todo progresso, todas as conquistas, todo poder e riquezas devem estar a serviço da vida de todos, não somente de alguns. Os documentos da Igreja ensinam que o direito da posse dos bens materiais tem seus limites e mesmo vira hipoteca social quando a vida está em risco.

Esta posição da Igreja gera tensões e mesmo levou e leva muitos que a defendem à perseguição e à própria morte diante da mentalidade consumista e capitalista de todos os tempos, particularmente de nossos dias. É por isto que a Igreja, os Evangelhos e particularmente Cristo incomodam tanto os interesses do mundo.

Colocarmo-nos do lado de Deus, na comunhão com a Igreja, tem o preço de renúncias, de incompreensões, de perseguições e mesmo da morte. O bem de cada pessoa, o bem comum, se situam acima do bem e dos interesses pessoais. Só há uma razão que justifique o possuir e o produzir: saber partilhar. O lucro se justiça quando também se torna um bem social. As tensões da humanidade nascem em sua maioria da não partilha.

Colocar-se do lado de Cristo exige um pouco mais do que viver preceitos, como apenas ir a missa, rezar, pagar o dízimo, exige o compromisso com o destino e a sorte de todos, particularmente dos mais pequeninos e feridos de nosso tempo. E não se trata apenas de dividir um pouco dos bens materiais que possuímos. Trata-se também de dividir um pouco de nosso tempo, de nossa formação e conhecimentos, de nossa fé e de nossa própria vida no serviço a todos.

O cristão cumpre sua missão não apenas pela fidelidade ao cumprimento dos preceitos em si, mas particularmente através do seu esforço diário na graça de Deus para identificar sua vida com a vida de Jesus. É no amor a Deus e no amor ao próximo que se cumpre toda a lei, todos os profetas e a própria Boa Nova de Jesus.