//Uma Paz desencontrada

Uma Paz desencontrada

2013-01-02T14:16:57+00:00janeiro 2nd, 2013|Palavra Viva|

O sonho da paz, da felicidade e da verdadeira realização da vida faz parte da aspiração do coração humano. Mas, por que é tão difícil chegarmos à concretização destes?

Narra um conto que o demônio por inveja da paz e da felicidade que Deus concedera para Adão e Eva no paraíso decidiu roubar-lhes o segredo da felicidade do seu coração. Mas onde esconder este segredo dos homens? Disse o demônio a si mesmo. Ah, já sei!  Vou roubar este segredo do coração humano e escondê-lo no espaço, assim o homem não o encontrará. Entretanto, deu-se conta que o espaço exterior não é mais um terreno desconhecido para o homem. Então disse. Não, vou lançá-lo no abismo do mar e da terra, mas, deparou-se que o homem através dos avanços da ciência está chegando também por lá. Por fim, numa inspiração e intuição sabia chegou a uma acertada conclusão. Agora já sei, disse ele. Vou escondê-lo no mais íntimo de seu coração e o homem movido a buscar a paz, a felicidade e a realização fora de si mesmo perderá o caminho para o encontro consigo, com o outro e com Deus que é a fonte primeira de sua felicidade, paz e realização. Cabe, portanto, a tarefa de refletir sobre a verdade desta história ou estória.

Num olhar para a realidade nos deparamos com um crescente clima de tensões quase como se nos sentíssemos perdidos na forma de entender tudo o que acontece.  Diante da triste realidade se busca, incansavelmente, por respostas. Tenta-se encontrar os meios para conter a escalada da violência e da agressão contra a vida. Organiza-se o aparato da defesa a nível civil e social. Percebe-se que as pessoas se sentem prisioneiras em suas próprias casas, ou pior, em suas próprias vidas. Enfim, vivemos num clima de insegurança e de medos.

Esta é a verdade! Precisamos encontrar os caminhos da solução. Entretanto, poucos possuem a suficiente coragem de ver que tudo o que acontece fora tem por origem o desvio da vida humana de sua vocação maior, de sua razão de ser, de viver e de existir.

A pessoa humana, desencontrada em seu interior, desenvolve a agressividade dentro de si e fora de si. A vida pautada no pecado foi sempre o começo e a causa maior da perda da paz e da felicidade tendo por preço a frustração do individuo.

Se quisermos colher o fruto da paz e da felicidade, como de uma sadia convivência entre as pessoas e entre os povos se faz necessário recomeçar pelos cuidados do cultivo dos valores da vida e do espírito. A história do mundo com suas tensões e agressividades é apenas a expressão da história da vida de cada pessoa. É necessário, e mesmo urgente, procurar as causas da cultura de morte de nossos tempos. Precisamos compreender que o mundo não muda se não começarmos pela mudança pessoal e individual.

Sem Deus e sem a opção pelos verdadeiros valores da vida geraremos a morte em nós, em nossas relações afetivas, sociais e na própria convivência pacífica e sadia entre classes, raças, regiões e povos.

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