Costumamos definir como ‘tempo’ o calendário regulador daquilo que programamos, executamos ou deixamos de fazer. Chamamos de tempo cronológico ou histórico; ou ainda como tempo humano. Porém, o ‘tempo teológico’ é uma outra forma de compreensão do que definimos como tempo

Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, nos oferece luzes que nos fazem compreender um tempo novo que se abre a partir da intervenção de Deus na história humana. Celebramos este tempo novo com a vinda de Jesus, no tempo e em nossa história.

Em Cristo, o tempo atingiu sua plenitude. Jesus significa um novo tempo: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. Passaram-se as coisas antigas, eis que se fez uma nova realidade” (2Cor 5,17). Com Jesus se inicia o Reino de Deus sobre o mundo; entre os seres humanos, prometido pelos profetas. O evento Jesus Cristo se torna o maior paradigma da história da humanidade; e não apenas em relação ao seu passado, mas também em relação ao seu futuro.

Portanto, iniciar um novo ano marcado por tantas situações e promessas, não nos garante de imediato que tudo será mesmo novo. Afinal, os condicionamentos de nossas práticas podem tirar o frescor da novidade. O novo se inicia quando deixamos Cristo orientar o nosso pensar; bem como o nosso agir, enfim, todo o nosso ser. Caso contrário, forjaremos o novo com as práticas viciadas e interesseiras do passado.

Teremos mais uma vez a feliz oportunidade de qualificarmos um novo ano; e com ele o nosso tempo. Não podemos cair na tentação de pensar que as coisas sempre serão do mesmo jeito. Invista o melhor de si; acredite que somos parte do grande mistério do Amor. Além disso, não desperdicemos nenhum momento deste novo ano, que ganha a qualidade de novo se acolhermos a novidade que é Cristo: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5).

Somos contabilizados por um tempo cronológico. No entanto, Deus nos reserva o seu próprio tempo de graça eterna, o Kairós. Por enquanto, vivamos a alegria do tempo presente; ou seja, fazendo-o novo, construindo novas relações e buscando acolher a novidade do Reino. que passa necessariamente pelas atitudes de amor, de paz e solidariedade com todos aqueles que mais precisam da grande novidade: Jesus Cristo.

Frei Rogério Lima, Lima, O. Carm.

Frei Rogério Lima, O. Carm.
Colaborador da ACN Brasil