“Jamais se viu que Alguém tão grande se tornasse tão pequeno para que nós pequenos nos tornássemos tão grandes”.
(Augusto Cury)

O salmista também rezava: “Quem és tu o homem para que Deus assim te trate?” Na verdade, quem somos nós para que Deus nos amasse deste jeito, através dos tempos, que nos chamasse à vida no amor de nossos pais e que nos constituísse em Cristo, filhos, filhas, herdeiros e co-herdeiros da vida eterna? Não há palavras para explicar este amor de Deus por nós. Resta-nos o silêncio, a contemplação, a adoração e gratidão.

Pessoalmente gosto de apreciar a vida com os olhos da sensibilidade e da admiração. Desde pequeno mamãe me ensinou a descobrir a presença do carinho de Deus nas belezas da natureza que nos cercam. Infelizmente muitos, pelas circunstâncias da vida, perderam a capacidade de ver e de contemplar o imenso amor de Deus presente na diversidade das obras de toda criação.

Encanta-me ver as flores em sua diversidade, como igualmente me emociono ao contemplar a dedicação e a doação com que os pássaros constroem seus ninhos, aquecem os seus ovos e se doam na criação de seus filhotes… Tudo fala e ensina muito da vida, do amor e do carinho de Deus presente nas obras da criação.

Por vezes me pergunto. Será que nos esquecemos que toda criação e toda criatura, tudo foi criado por Deus como expressão de seu eterno e infinito amor por nós? Se um simples pássaro tece seu ninho, aquece seus ovos e cuida de seus filhotes com tanta dedicação e amor, o que Deus não pode fazer por nós se nos deixarmos amar por Ele?

Se não bastasse estes gestos de infinito e eterno amor por nós, Deus nos criou como as primícias de sua criação. Ele nos amou incansavelmente através dos tempos, particularmente nos amou e nos ama através de Jesus, seu único Filho amado, que se tornou um de nós com sua encarnação e vida, abraçando-nos na totalidade de nosso ser, de nossos sonhos e aspirações.

Sim, em Cristo, Deus nos amou em nosso ser e em nossa total realidade humana e divina, como nos ama em nossa realidade de pecadores. Em Cristo, Deus nos abraçou a tal ponto que nos lavou os pés, se fez verdadeira comida e bebida na Eucaristia, doando-se ao extremo de sofrer sua paixão e morte de cruz para nos salvar. Ressuscitando, nos restituiu a dignidade de filhos e filhas de Deus. Quem nos amou e nos ama assim?

Se nos encantamos diante da dedicação dos simples pássaros e dos animais por seus filhotes, procurando protegê-los e defende-los, por que não admiramos, não reconhecemos e não nos apaixonamos pelo amor de Deus por nós? Como não amarmos o Deus que assim nos amou e nos ama?

Caros amigos da AIS Brasil. Encontramo-nos mais uma vez no mês da Bíblia… A Bíblia no seu todo é o livro que nos revela o eterno amor de Deus por nós, pela humanidade. A Bíblia é o amor de Deus feito Palavra de vida, que nos oferece o verdadeiro caminho para nossa perfeita humanização e salvação. Mas Ela não existe apenas para ser conhecida e apreciada, mas acima de tudo, para ser acolhida e amada tornando-se o alimento indispensável de nossa caminhada para Cristo, para o Pai.

Sem o acolhimento da Palavra de Deus, não há acolhimento de Cristo e sem Cristo não há salvação e nem amor verdadeiro aos irmãos. Será na soma de nossa vida com a Palavra de Deus através da vivência dos sacramentos, que nos tornaremos Igreja viva em nossa comunhão com Deus e com os irmãos.