//Toda a perfeição cristã está na obediência

Toda a perfeição cristã está na obediência

2014-03-21T17:49:53+00:00março 21st, 2014|Palavra Viva|

É importante considerar, em primeiro lugar, a grandeza dos bens que Deus colocou nas mãos de São José, para apreciar com justeza o valor de seu escondimento.

A Providência quis que esse homem fosse depositário fiel da Virgindade Perpétua de Maria Santíssima, sua esposa; do Menino Jesus, o Próprio Deus feito homem; e – não fossem os dois o bastante – do Segredo da Encarnação do Verbo. Uma vida toda passada ao lado de Jesus e Maria e tão poucas palavras ditas a seu respeito, nenhuma palavra saída de sua boca… Como isso é possível?

O beato João Paulo II tem uma frase que se adequa de modo preciso ao silêncio de José: “O bem não faz ruído, a força do amor expressa-se na discrição tranquila do serviço quotidiano”. Que se pode ser grande sem esplendor, bem-aventurado sem ruído; que se pode ter a verdadeira glória sem o socorro da fama, com o único testemunho de sua consciência… A razão da nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência…

A virtude que teve São José, desprezando as glórias humanas e escolhendo como única testemunha a Palavra de Deus talhada em sua consciência, deve animar-nos a fazer o mesmo: ter em pouco caso o parecer das pessoas, para receber unicamente de Deus, “que vê o escondido”, a recompensa. “Que os homens jamais falem de nós, contanto que Jesus Cristo fale um dia”.

Olhando ainda para o silêncio de São José, alguém poderia perguntar se não seria errado manter obscuro um tesouro tão precioso como Jesus, sem nada dizer sobre ele. Com razão, uma aparente oposição entre a missão confiada aos Apóstolos e a missão confiada a José: Jesus é revelado aos Apóstolos para ser anunciado em todo o universo; é revelado a José para calar e ocultá-lo. Novamente, como isso é possível?

“Será Deus contrário a si próprio nessas vocações opostas?” Não, fiéis; não credes: toda essa disparidade tem por fim ensinar aos filhos de Deus esta verdade importante, que toda a perfeição cristã está na obediência.

Aquele que glorifica os Apóstolos pela honra da pregação, glorifica também São José pela humildade do silêncio. Aprendemos por aí que a glória dos cristãos brilhantes não está nos empregos, e sim em fazer a Vontade de Deus.

Se todos não podem ter a honra de pregar Jesus Cristo, todos podem ter a honra de obedecer-lhe, e esta é a glória de São José e a grande honra do cristianismo.

“Se todos não podem ter a honra de pregar Jesus Cristo, todos podem ter a honra de obedecer-lhe”. Se nem todos podem ter a honra de atravessar terras e mares para anunciar o Evangelho aos quatro cantos do mundo, se nem todos receberão de Deus a coroa do martírio, todas as pessoas, sem exceção, podem obedecer a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas: “ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade”.

A Santidade no escondimento é possível: eis a grande lição de São José. Como ensinou Paulo VI, ele “é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam ‘grandes coisas’, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”.

 

Dom Farès Maakaroun
Arcebispo da Igreja Católica, Apostólica, Romana, Greco-Melquita

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