//Editorial: Testemunhas da Esperança

Editorial: Testemunhas da Esperança

2018-08-10T13:24:25+00:00abril 12th, 2018|Palavra Viva|

“Nós esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel” (Lc 24,21). Essa foi a decepcionante avaliação da Páscoa dos discípulos de Emaús. Dois homens deprimidos caminhavam para um futuro sem sentido. Eles perderam toda a esperança. Somente ao partir do pão eles reconhecem o Ressuscitado, recebendo ao mesmo tempo o grande dom divino da esperança. É verdade que, com isso, eles “ainda não” alcançaram a salvação definitiva, entretanto reencontraram o sentido.

O poeta francês Charles Péguy descreve a segunda virtude teologal, esperança, como uma menininha que vai andando, sem ser notada, entre suas duas irmãs maiores, a fé e a caridade. Mas, na realidade, é essa garotinha que arrasta tudo consigo. A esperança, diferente da fé e caridade, tem seus olhos voltados para aquilo que ainda não é, mas será.

Muitos cristãos sobrevivem à tortura, à prisão ou ao sofrimento graças à esperança. Isso não significa uma fuga da realidade, mas uma força sobrenatural, orientada para a felicidade da salvação. A esperança cristã oferece no “aqui e agora” o verdadeiro sentido para o caminho. A liberdade, a razão, o progresso, tudo isso pode alterar bem pouco a miséria deste mundo. Mas nós podemos realizar muito se, através da ressurreição de Jesus, a esperança na salvação permanecer viva em nós.

O caminho da Esperança

O Papa emérito Bento XVI apresenta na sua carta encíclica Spe Salvi três lugares significativos de aprendizagem da esperança. O primeiro é a oração. Porque a oração, na sua forma original de súplica, nada mais é do que a expressão de quem tem esperança. O segundo lugar é toda a boa ação do homem. É a coragem de seguir em frente todos os dias, mesmo que nem sempre tenhamos sucesso ou que falhemos. O terceiro lugar é a compaixão e a capacidade de suportar o sofrimento.

É claro que devemos procurar aliviar o sofrimento; mas só Deus pode vencê-lo definitivamente. E será pela medida da nossa esperança que poderemos acabar com o mal e a culpa no mundo, fontes do sofrimento. Caros amigos, todos nós somos chamados a ser testemunhas da esperança. Pela nossa oração, pelas nossas boas ações e pela nossa compaixão, queremos ser uma fonte de esperança pascal para todos os que são atingidos pela necessidade e pela dor.

– Pe. Martin Barta –

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