Como cristãos somos chamados a viver da misericórdia de Deus no perdão. “Sede misericordiosos como vosso Pai do céu também é misericordioso” (Lc 6,36). Aliás, o próprio Jesus proclama que “Os misericordiosos alcançarão a misericórdia e deles é Reino dos céus” (Mt 5,7).

A família cristã elevada é por Cristo e pela Igreja como o berço do amor e da vida, a escola viva dos valores. A igreja doméstica, é chamada a viver um amor de misericórdia que se assemelhe ao amor de Deus pela humanidade.

À imagem do Amor de Deus

Mas o que significa viver do amor misericordioso de Deus? Trata-se de viver no amor que vai além do perdão em si. A família cristã é chamada a viver num compromisso de vida e de amor que vai além do perdão em si, assumindo o compromisso de reconciliação e de ajuda com a pessoa que erra, não com seu erro, pois: “No amor somos sempre devedores”, nos fala o apóstolo Paulo. Trata-se também de viver numa relação de vida onde os pais e filhos assumem viver no amor do perdão e da reconciliação, da cura das feridas humanas, psíquicas e espirituais de quem erra. Num passo maior, temos que aprender de Cristo a lição do Calvário onde Ele perdoa e intercede junto do Pai por aqueles que o crucificaram. Sem dúvida é algo impossível fora da graça e da ajuda de Deus.

Como nunca tem se falado do amor. A palavra amor perdeu seu significado maior: de salvar o outro. O amor traz em sua essência a força do perdão. Sem ele, a família humana, diretamente na relação pais e filhos, se transforma numa relação de pura reivindicação e não numa comunidade viva de amor e de perdão.

Somos chamados a viver em família dentro de um clima de amor que se assemelhe ao amor de Cristo. Amor tal que, sendo crucificado e condenado injustamente à morte de cruz, perdoa e intercede por aqueles que o mataram. Amor que confia a Pedro a Sua Igreja. Isso apesar de Pedro ter negado Jesus no momento em que Ele mais precisava de sua companhia.

Viver este amor não é nada fácil

Sem dúvida, viver este amor não é nada fácil e nem agradável. Exige o preço da doação, da renúncia, da cruz e de muitas mortes. É um amor que normalmente contradiz os critérios de um mundo centrado nos interesses do bem estar pessoal, na divisão de classes, de cor, de raças e de credos. Mundo sem o espírito da partilha, do perdão e da reconciliação. Temos um caminho a seguir que o Pai nos deu para vivermos o amor de perdão e de reconciliação: Jesus. “Sede misericordiosos como vosso Pai do céu é misericordioso”. Aqui reside todo segredo, força e coragem para vivermos o perdão em família e na família.

Nossas famílias se encontram muito feridas pela falta de amor, de diálogo, de perdão e de reconciliação. Peçamos, assim, que o Deus Pai de infinita misericórdia na graça de Cristo e na ação do Espírito Santo interceda por nossas famílias tão fragilizadas dos tempos em que vivemos.

Na passagem do dia das mães, rogo que Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe interceda por nossas queridas mães terrenas e por todas as mulheres que através de sua doação e serviço tornam presente e vivo o amor da misericórdia de Deus a favor dos mais pequeninos e necessitados de nosso tempo.