A fé é o grande e dom que recebemos da parte de Deus, nosso bom Pai, como dádiva de seu eterno amor oferecido gratuitamente à humanidade em virtude dos méritos da redenção de Jesus Cristo, seu Filho amado, na ação do Espírito Santo.

Neste sentido a fé não é resultado de méritos humanos, mas, é obra da infinita bondade do amor de Deus. A vida cristã se move na compreensão deste amor. O Papa Bento XVI após celebrar “o ano missionário” e “o ano sacerdotal” nos conclama para celebrarmos “o ano da fé” num mundo que tenta viver sua vida sem Deus.

Sem a fé, Deus, o cristianismo e as religiões se transformariam em uma simples projeção de nossa mente e de nossas necessidades humanas, que não conseguem responder satisfatoriamente as questões sobre a vida. É assim que pensam os ateus.

O Papa Bento XVI com frequência nos adverte que o homem de nossos tempos busca viver sem Deus. É o ateísmo pratico que, por vezes, se expressa na vida de tantos de nós cristãos. Vive-se como se Deus e seus ensinamentos pouco significassem para a vida diária e opções a nívelpessoal, familiar, social, de comunidade e convivência humana.

Há uma verdade a aceitar. A experiência humana através dos tempos, desde Adão e Eva até em nossos dias, demonstra que a negação de Deus veio sempre acompanhada da negação dos verdadeiros valores da vida, tendo por resultado o questionamento da dignidade e da qualidade da vida gerando a exclusão de multidões de pessoas pelo mundo.

“Ano da fé”. Mas do que se trata? Antes de tudo trata-se do convite de irmos ao encontro da Pessoa de Jesus como o nosso único Salvador e Redentor. Trata-se de conhecer, amar e de viver melhor a mensagem salvadora dos Evangelhos, como de conhecer mais de perto as grandes verdades e ensinamentos da Igreja de Jesus. Enfim, entender melhor o que significa viver e existir como cristão no mundo de hoje.

O Papa João Paulo II já nos dizia que “se tem instalado em muitos um sentimento religioso vago e pouco comprometido com a vida levando muitos a viverem como se Deus não existisse” 23/11/95. Bento XVI recentemente nos falou que “nas grandes religiões do mundo a fé corre o risco de se apagar como uma chama que já não encontra alimento. Por isto estamos enfrentando uma profunda crise de fé, uma perda do religioso, que é um desafio para a Igreja de hoje”. Há infelizmente um verdadeiro cansaço da fé, tendo por preço a morte da religiosidade.

O ano da fé foi proclamado por Bento XVI com o objetivo de tirar os cristãos deste cansaço da fé e da não importância em viver uma vida cristã medíocre. É um convite para colocarmos Deus em nossa vida. O que sempre mais precisamos saber é que a vivência da fé é inseparável do amor a Deus e do amor ao próximo. “A fé, sem as obras, está completamente morta” (Tg 2,17).

“Desejo que o Ano da fé possa contribuir, com a colaboração cordial de todos os componentes do Povo de Deus, para tornar novamente Deus presente neste mundo e para abrir os homens ao acesso da fé ao confiar-se a Aquele Deus que nos amou até o fim”
(Bento XVI, proclamação do Ano da Fé).