Novo ano, vida nova é o que se aspira. Entretanto tudo depende da consciência e opções que faremos. Durante o ano refletiremos sobre o amor cristão. Um bom começo é sempre uma escolha sábia para o segredo da felicidade.

O noivado na Igreja católica não é uma tradição ou simples etapa na preparação da consagração do amor cristão de um homem e mulher, mas deve ser compreendido, vivido e assumido como um período importante de diálogo, de conhecimento, de partilha de vidas entre os noivos em vista de um planejamento consciente e responsável para a vida futura de casados. É um tempo forte de conhecimento mútuo, de oração, de discernimento e de abertura a nível pessoal e a dois diante de Deus, da Igreja e dos irmãos.

Casar-se na Igreja não é a decisão de um dia, ou a opção por um tempo determinado, mas é e deve ser uma opção de vida e para vida toda. Na vontade de Deus o homem e a mulher são chamados a viver segundo sua imagem e semelhança. São chamados a viverem e existirem em comunhão e partilha de vidas. A partir de Cristo o amor de um homem e de uma mulher vai além da atração, da realização e da complementação mútua. Torna-se pelos méritos da redenção de Cristo na ação do Espírito Santo em fonte de santificação e de salvação humano-divino, um grande bem não somente para os noivos, mas para a família e para toda a Igreja.

Costumo dizer que o verdadeiro casamento cristão começa na primeira piscada que os namorados se dão, amadurece através de um namoro responsável, se torna compromisso de partilha e de planejamento no tempo do noivado e se transforma em sacramento de vida, de salvação e de santificação no dia em que os noivos se consagram pelo amor mútuo diante de Deus e da Igreja gerando um compromisso de vida que somente terminará quando um dos dois falecer.

Hoje as pessoas se preparam para tudo, menos para casar-se. Não basta a atração, o ajustamento e planejamento a dois, uma profissão estável, a realização sexual em si, se requer antes de tudo a descoberta do verdadeiro valor e do sentido maior da vida humana como um bem que pertence a Deus antes de tudo.

Casar-se exige a consciência de que não se escolhe alguém para amar e nem apenas para que nos ame, casar-se exige um compromisso de assumir alguém diante de si, da comunidade e de Deus para o realizar como pessoa humana no tempo em vista de seu destino terreno.

O noivado cristão é e deve ser por excelência o tempo da evangelização dos que desejam consagrar seu amor como cristãos perante si, perante Deus e os irmãos. Sem um sólido conhecimento do que consiste viver o sacramento do amor cristão os noivos não possuirão o preparo necessário, e por isto mesmo, faltará a solidez de uma espiritualidade amadurecida para viver uma escolha livre de amor a dois, opção essa que é praticamente impossível de se viver sem o horizonte do olhar de Deus, de Cristo, dos Evangelhos e da comunhão com  a Igreja de Cristo.