//A humildade de João Batista

A humildade de João Batista

2016-02-05T18:28:59+00:00fevereiro 5th, 2016|Palavra Viva|

“O estilo de Deus não é o estilo do homem, porque Deus vence com humildade, como demonstra o fim do maior dos profetas, João Batista, que preparou o caminho a Cristo e depois, se pôs de lado”. Este foi o comentário feito pelo Papa sobre o Evangelho do dia (05/02/2016), durante a homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta.

O “maior” dos homens, o “justo e santo” que preparou o povo para a chegada do Messias, termina decapitado na escuridão de uma cela, sozinho e condenado ao ódio vingativo de uma rainha e à covardia de um rei submisso.

O último profeta

Assim, “Deus vence”, comentou o Papa Francisco, relendo, na homilia, o Evangelho que narra a morte de João Batista: “João Batista: o maior homem nascido de uma mulher: assim diz a formula de canonização de João. Esta formula não foi dita por um Papa, mas por Jesus. O maior Santo: assim, Jesus o canonizou. E terminou no cárcere, degolado, e ‘Os discípulos de João, ao saber do fato, vieram, pegaram o cadáver e o colocaram no sepulcro’. Assim terminou o maior homem nascido de uma mulher’. Um grande profeta; o único a quem foi concedido ver a esperança de Israel”.

O maior tormento

Francisco não parou na evidência do Evangelho e ‘tentou entrar na cela de João’, a ‘escavar’ na alma da voz que gritou no deserto e batizou multidões em nome Daquele que ainda viria, e que agora estava acorrentado não só aos ferros do cativeiro, mas provavelmente – considerou o Papa – inclusive aos cepos da incerteza que o devasta, não obstante tudo: “Mas ele também sofreu na prisão a tortura interior da dúvida: Talvez, eu estivesse errado? Este Messias não é como eu imaginava que devia ser o Messias… ‘. E ele enviou seus discípulos para perguntar a Jesus: ‘Mas, diga, diga a verdade: és Tu quem deve vir?’, porque aquela dúvida lhe fazia sofrer. “Eu cometi um erro ao anunciar alguém que não é? Eu enganei as pessoas?’. O sofrimento, a solidão interior deste homem … “Eu, no entanto, tenha que me abaixar, diminuir assim: na alma, no corpo … tudo …”.

Humilde até o fim

“Diminuir, diminuir, diminuir”, assim “foi a vida de João”, repete Francisco. “Um grande que não procurou a própria glória, mas a de Deus”, e que termina de uma forma “de modo prosaico, no anonimato”. Mas, com essa sua atitude, conclui o Papa, “preparou o caminho para Jesus”, que da mesma forma, “morreu em agonia, sozinho, sem os discípulos”. “Irá nos fazer bem ler hoje esta passagem do Evangelho (Marcos 6,14-29). Ler esta passagem, para ver como Deus vence: o estilo de Deus não é o estilo do homem. Peça ao Senhor a graça da humildade que tinha João, e não atribuir os méritos ou glórias de outros. E acima de tudo, a graça de que na nossa vida haja sempre o lugar, para que Jesus cresça e que diminuamos, até o fim”.

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