Há um principio na estrutura de todos os elementos da criação. Toda natureza criada apresenta uma estrutura familiar. O próprio cosmos é formado por uma ordem familiar a partir das macro-estruturas que são as galáxias, os sistemas solares e planetas até sua micro-estrutura que são os átomos com seus elétrons, próntons e kartzs.


Esta estrutura familiar se faz presente em toda criação viva e há uma intima inter-relação entre todos os elementos da criação com a natureza que os cerca. Como nunca o cuidado com estes elementos se faz necessário para salvarmos o planeta Terra. Sem estes cuidados todo tipo de vida não terá futuro.

Mas, se existe esta inter-relação entre todos os elementos da criação, como seria possivel uma sadia estrutura familiar humana sem a relação de esposo e esposa, pais e filhos, parentes e amigos? Estaríamos contra as leis da natureza e contra a vocação maior de toda pessoa humana, a vocação do amor e para o amor.

Não somos apenas seres inteligentes e racionais, somos essencialmente seres de amor, seres sociais e de comunhão. Não sobrevivemos isolados uns dos outros. Não há dúvida. O isolamento e a solidão são uma das maiores enfermidades do homem moderno. Toda pessoa que se isola começa por assinar seu atestado de óbito existencialmente falando. Somos por nossa natureza chamados à relação e à partilha de vida com o outro, com a criação e com o Criador, Deus.

É verdade. O ditado popular tem sua razão. “Quem casa quer casa”. Os esposos têm total direito a sua individualidade e privacidade da vida a dois, mas é próprio da essência do amor se expandir, criar relações. Não existe nenhum homem e nenhuma mulher capaz de saciar todas as aspirações do coração do outro, de dar tudo ao outro. O que existe é um homem e uma mulher buscando o tudo através do amor a dois e em família.

Sozinha, a família não se basta, ela necessita naturalmente se abrir para os outros, para o mundo. Os parentes, os amigos e grupos de relacionamento fazem parte da sadia maturidade da família. Neste sentido quem se casa e de antemão exclui os familiares e amigos de sua convivência e relações acaba empobrecendo e mesmo asfixiando a riqueza da vida familiar afetiva.

Não nascemos apenas para alguém, nascemos para os outros e para o mundo, e por isto mesmo, precisamos dos outros, precisamos do mundo. Negar ou podar esta dimensão da vida é anular o outro em sua vocação social. Ninguém é dono de ninguém, só Deus é dono da vida de todos. Deus nos chamou para existirmos como imagens Dele, isto é, para sermos comunidade de vida e de amor, para sermos irmãos uns dos outros, cidadãos do mundo. Cristo nos elevou à riqueza da dignidade de uma vida de comunhão na qual devemos existir e viver como membros vivos uns dos outros, filhos e filhas do mesmo Deus Pai de todos.

Por experiência sabemos que nos países onde o estado interferiu diretamente na estrutura e nas relações da família, como na educação dos filhos, o resultado foi sempre negativo, ou mesmo desastroso. Não podemos negar. A família é entendida como um horizonte na relação dos esposos, na relação pais e filhos, como na relação com o grupo familiar dos parentes e amigos.

Berdiaeff, antropólogo atual, em seus estudos sobre a presença do homem na história da humanidade constata que os elementos de solidez e de qualidade da vida humana tem por fundamento a sadia vivência de uma estrutura familiar em suas relações com todos.

O casamento e a família são um bem social da Igreja e da comunidade. Como fonte de vida, dos valores e das relações humanas, a família é o espaço sagrado da vivência e das boas relações entre os esposos, pais e filhos, avós, parentes e grupos de relacionamento. Negar esta estrutura interna da família é negar sua vocação, missão e dinamismo de vida na sociedade, na Igreja e no mundo.