Sim, Deus nos surpreende e mesmo nos desconcerta. O Papa Francisco apareceu como um carinho especial de Deus para uma Igreja que precisa se renovar, se tornar mais próxima das pessoas mais semelhante ao rosto de Quem a pensou, Jesus.

As especulações sobre o novo sucessor de Pedro passaram longe do resultado do conclave. Os ditos “mais papáveis” continuaram cardeais. Os vaticanistas erraram. A novidade para a Igreja de Jesus veio do “fim do mundo” como muito bem se expressou o Papa Francisco em sua primeira aparição em público.

Passados apenas alguns dias de seu pontificado começa aparecer o carisma de Francisco. Marcado por um sorriso cativante, que vai ao encontro de todos. Como pessoa era e continua comprometido com os mais sofridos do mundo.  Fala com todos como um irmão. Optou por um anel papal de simples prata escurecida. Usa a mesma cruz peitoral que usava quando cardeal. É alguém próximo, humilde e simples como pessoa. Os sapatos são pretos. (Dizem que os recebeu de uma viúva que acabara de perder seu marido). Pagou pessoalmente a conta na pensão onde se hospedava em Roma antes de ser nomeado Papa, não quis assim se servir da Igreja e de seu ministério. Com isto ele nos ensina que na Igreja de Cristo só se existe para servir e não para ser servido. Ao invés de que beijem seu anelpapal prefere a saudação do abraço. Rompe com os protocolos. Tem coração e vida de pastor. Enfim, Deus nos surpreendeu e nos surpreende a cada dia com sua pessoa carismática cheia de gestos de bondade e de ternura cativantes. Foi ele mesmo quem nos disse: “Não devemos ter medo de demonstrar a bondade e mesmo a ternura“. Na capela de Santa Ana disse que “Jesus têm uma capacidade infinita de Se esquecer de nossos pecados“. Ensina que Deus é misericórdia sem limites. Enfim, com seu testemunho de vida ele nos ensina que ser papa, bispo, padre, religioso ou cristão é simplesmente seguir os passos e a vida de Jesus.

Numa de suas primeiras reflexões fala que no seguimento de Jesus por primeiro se faz necessário “caminhar, edificar, construir e confessar”. Isto é, como cristãos, filhos e filhas do mesmo Deus Pai, cada um de nós é chamado a fazer por primeiro a experiência de um encontro com a Pessoa de Jesus. Somente assim nos sentiremos mais bem qualificados para falar e dar um testemunho de Deus. O apóstolo Paulo, tocado pelo encontro com Jesus a caminho de Damasco, nos dá este exemplo: “Já não sou eu que vivo, Cristo é que vive em mim” (Gl 2,20). “Sejam meus imitadores como eu o sou de Cristo” (1Cor 11,1).

O Papa Francisco nos diz que “a Igreja de Jesus não é uma ONG piedosa“, mas uma realidade viva de amor entre Deus e os homens, dos homens com Deus e também com os irmãos, onde o protagonista principal é o Espírito Santo que age e opera na Igreja. Portanto, não basta sermos bons teólogos, bispos, padres, religiosos e leigos cristãos para falarmos de Jesus. Temos que comunicar e transmitir a vida de Jesus que, antes de tudo, deve existir em cada um de nós e entre nós. Recordo-me aqui das palavras proféticas de nosso querido e saudoso Papa João Paulo II. “Se quisermos falar de Jesus para os homens de nosso tempo não basta apenas falar, devemos, como cristãos, antes de tudo dar um espetáculo vivo de amor e de solidariedade no compromisso de amor com os mais sofridos de nosso tempo“.

Pessoalmente antevejo, torço e rezo para que nosso Papa Francisco se transforme numa rica síntese dos três grandes Franciscos da Igreja: Francisco de Assis o apaixonado pela criação, por Jesus, pelos pobres e pela Igreja. Francisco Xavier o missionário dos povos e Francisco Salles o homem das profundidades do espírito.

Temos toda razão de nos sentirmos alegres e esperançosos. Foi o próprio Papa Francisco que nos acaba de dizer isto na festa do Domingos de Ramos. “Não percam a esperança. Um cristão não pode ser alguém triste“.

Esta é a verdade. O Espírito Santo nos presenteou com a riqueza carismática de um Papa que nos fala muito mais com seus gestos do que com suas palavras. Louvado seja Deus. Os homens de nosso tempo são mendigos da vida, órfãos de acolhimento e se encontram empobrecidos pela ausência dos valores do espírito e da vida. Precisam ser ouvidos, acolhidos e abraçados. Falamos demais, escutamos pouco e praticamente não temos mais espaço para o abraço e o acolhimento das pessoas.

Em poucos dias de pontificado o Papa Francisco nos ensina que o seguimento de Jesus é inseparável de nosso compromisso de amor a Deus e aos irmãos. Temos que nos convencer que o mundo precisa urgentemente ver, sentir e se encontrar com rosto vivo do Mestre Jesus na pessoa de cada cristão.