A ciência constata que existe na estrutura de cada pessoa uma consciência natural sobre a existência do bem e do mal. Os mitos e as religiões falam desta verdade. A Bíblia e a Igreja confirmam a realidade do bem e do mal na vida humana como nos ensinam que, sem à ajuda da graça de Deus, não podemos vencer as forças do mal.

A razão humana, as religiões, como particularmente o cristianismo nos fazem entender que não se pode ser bom e mau ao mesmo tempo. A Bíblia é clara ao expressar o projeto de Deus Pai para a vida humana. “Eis que ponho diante de ti o caminho da vida e da morte” (Jr 21,8). Ou seja, somos nós que escolhemos qual rumo damos às nossas vidas. Cristo é por demais explicito: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6,24). “Diga apenas ‘sim’ quando é ‘sim’; e ‘não’ quando é ‘não’. O que você disser além disso, vem do maligno.” (Mt 5,37). Como não podemos ser indiferentes e passivos diante da vida. “Antes fosses frio ou quente, mas porque és morno, vou te vomitar da minha boca” (Ap 3,16).

Sim. Todos nós somos humanos, finitos e limitados, por isto mesmo, pecadores. Todos nós erramos e erramos muito. O que não podemos querer é nos considerar bons, justos, éticos e verdadeiros enquanto na prática de nossa vida somos indiferentes, medíocres, ou pior, falsos, corruptos e desonestos. A hipocrisia tão questionada por Jesus diante da duplicidade de vida dos escribas, dos fariseus, dos saduceus, dos sacerdotes e das autoridades de seu tempo é a negação da vida cristã feita para nós. A opção por Jesus pede e exige que busquemos ser honestos e verdadeiros conosco, com os outros, com a vida e com Deus, se quisermos merecer e ter a posse da vida e o segredo da verdadeira felicidade.

O mal sob todos os aspectos e dimensões não pode ser visto e compreendido com bem. Não podemos justiçar o injustificável. O que é verdade é verdade, tanto no caminho do bem, como no caminho do mal. A honestidade tem que ser uma postura de nosso caráter e uma virtude do nosso agir.

Não se trata de não errarmos. Quem nunca errou ou pecou? O apóstolo Paulo nos diz que somos todos pecadores amados por Deus. Trata-se sim do buscarmos ser em tudo e através de tudo honestos, éticos e verdadeiros conosco próprios, de reconhecermos nossos acertos como nossos erros, nossas qualidades, como nossas fraquezas e pecados. O caminho do bem e da vida não exclui a possibilidade do erro, mas exige a opção permanente pelos valores da vida e do Evangelho. Deus sempre amou e ama o pecador arrependido, nunca o erro e o pecado. O caminho do bem e o caminho do mal se opõem totalmente. Se quisermos abraçar a vida segundo os valores do Evangelho temos que optar pelo caminho da vida que é Jesus e não pelo caminho do mundo, isto é, do pecado.

Sim, como cristãos temos que viver em tudo e através de tudo o amor de misericórdia que o Pai e Jesus nos apresentaram, isto é, o amor que sempre compreende, perdoa e ama o pecador, mas que se opõe totalmente ao pecado.