Afirmar que exista esta tal “cura interior”, pressupõe a falsa garantia de que nós, como cristãos, não teremos mazelas de nenhuma espécie. Como se Deus tivesse a obrigação de nos curar naquilo que queremos. Ou como se ficar doente, sofrer de uma depressão ou outro tipo de problema fosse algo restrito aos que estão “em pecado”.

No livro de Jó vemos exatamente esta proposição, por parte dos seus “mui amigos”. Eles afirmavam que se tudo não estava bem, então havia algo que necessitava ser (ou deixado de ser) feito para que as Bençãos de Deus fossem alcançadas.

O mais interessante é como Jó, tendo todos os motivos para concordar com os conselhos recebidos, ainda sim cria em algo que transcende qualquer problema: A convicção de que a Benção de Deus (incluindo a Salvação) não pode ser obtida por méritos humanos; ou seja, Deus dá de Sua Graça Generosa conforme Lhe aprouve. E a subtrai igualmente segundo os mesmos desígnios.

Condicionar ser “bem sucedido” a ter o Favor de Deus é uma das maiores heresias. Por que analisando a vida dos cristãos do primeiro século, nenhum deles teve um bom fim. Foram perseguições, torturas, fome, nudez, prisões, mais crucificações e morte. Os primeiros Heróis da Fé Cristã foram os que mais sofreram dentre todos.

Sem contar Cristo, o Filho de Deus que não foi poupado. Teve que sofrer as mesmas dores de barriga que eu e você. As mesmas dores, angústias, tristezas. Passou com classe pela provação de ver Sua Carne gritando para salvar a si mesma, mas preferiu não passar o Cálice para que a Vontade do Pai se cumprisse. Sentiu, pela primeira vez na Eternidade, o vazio existencial de ficar longe do Criador, quando na Cruz gritou “Por que me desamparaste?”. Alúhi Alúhi Lammá Shabáktani?. Por que Me abandonaste?.

Está doente? Que a imposição de mãos da Igreja, aplicada junto com o remédio (o óleo nos tempos bíblicos do NT era utilizado com fins medicinais) seja a ministração adequada na busca pela cura.

Está deprimido? Que haja entre nós o ambiente seguro para que possamos procurar ajuda.

Deus não tem compromisso algum com nosso conceito de felicidade. Enquanto em nossas orações desejamos salvar nosso corpo, Ele, muitas vezes, possui outros interesses. Nossa alma é mais importante. Doente ou não, desesperado ou não, triste ou não… o propósito do Evangelho é libertar o homem da perdição eterna. E apenas o Conhecimento da Verdade tem este Poder.

Se você tem problemas, Bem vindo ao Reino de Deus.

 

† Dom Farès Maakaroun
Arcebispo da Igreja Católica Apostólica Romana, Greco-Melquita, no Brasil