//As exigências do Reino

As exigências do Reino

2014-04-02T16:00:30+00:00abril 2nd, 2014|Palavra Viva|

“Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou odiará a um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas” (Mt 6,24).

O acolhimento e a prática destas poucas palavras de Jesus contém todo um segredo de vida e de sabedoria. Isto é. Não se pode viver em função das compensações do mundo e dos valores do Reino de Deus ao mesmo tempo. Precisamos dos bens da criação para viver com dignidade, entretanto, é bom termos presente que a nossa condição humana é marcada por limites, fraquezas e por pecados.

Somos marcados pela liberdade gratuita que Deus nos deu, mas é justamente no uso desta liberdade, nas escolhas entre o que é bom e na renúncia do que é mal, que reside o caminho de acesso à vida plena, da paz e da felicidade, tanto a nível pessoal, em família, sociedade e mundo.

É neste sentido que o anúncio e a vivência do Reino de Deus é exigente. A vida de Jesus, na fidelidade à vontade do Pai para a salvação de toda a humanidade, se transformou numa assinatura viva do que significa viver na radicalidade dos valores do Reino. O discípulo é chamado a seguir os passos e a vida de seu Mestre se quiser ser reconhecido como seu discípulo (cf. Jo 13,15).

Reconhecendo nossos limites e fraquezas temos que admitir que a entrada no Reino de Deus nos pede coerência de vida. Todos são convidados a fazer parte do Reino de Jesus. Mas, por tantas razões, nem todos aceitam as exigências deste convite. Não basta saber o que é certo e errado, não basta conhecer o Evangelho de Jesus, como não basta admitir que Jesus é o nosso único Salvador e Redentor. O apóstolo Tiago nos diz que o próprio demônio sabe e admite estas verdades (cf. Tg 2,19). Se faz necessário viver a vida de Jesus, de amar como ele nos amou.

Mesmo sendo limitados, Jesus nos pede perseverança e, para isso, nos dá a sua graça para continuarmos em frente. Não há outro caminho que nos leve ao Reino anunciado por Jesus. A escolha pelo caminho do bem ou do mal nos leva a fins diferentes. Não podemos nos enganar a nós mesmos, nem aos outros e, menos ainda, a Deus. Seria hipocrisia querermos ser aceitos como bons, honestos, santos e verdadeiros, quando na verdade, somos falsos, medíocres e mentirosos.

Diante do bem e do mal, Jesus não aceita a neutralidade, isto é, a vivencia nas duas realidades. Jesus é explícito: “Conheço a tua conduta: não és frio e nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Porque és morno, nem frio e nem quente, estou para te vomitar de minha boca” (Ap 3,15-16).

Não se trata de não termos fraquezas ou pecados. Trata-se da opção por Jesus. Não se pode viver em função dos valores do mundo e dos valores de Deus ao mesmo tempo. Não é uma questão de ter muito ou pouco, mas de desprendimento e de opção de coração perante os valores da vida e do Reino. “Eles se mostravam assíduos aos ensinamentos dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações.. Todos que tinham abraçado a fé eram unidos e punham tudo em comum.. e não havia entre eles nenhum necessitado”… (At 2,42-47).

One Comment

  1. Gelson José Bolzan 26 de maio de 2014 at 10:23 - Reply

    Lá no Oriente Médio e na China, vejo os cristãos com muita admiração, pois são corajosos e intrepidos. Diante das situações de perseguição, eles continuam os mesmos. E quando são interpelados e recebem propostas para abjurarem da fé, os nossos irmãos cristãos preferem a morte. Isto é viver a radicalidade cristã. Sou ainda muito medíocre, mas Deus conhece o desejo no meu coração de ser como eles. Eu espero e confio em Jesus, sou uma obra nas mãos d’Ele, amém!

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