//Tragam de volta nossas meninas! #BringBackOurGirls

Tragam de volta nossas meninas! #BringBackOurGirls

2014-05-13T20:19:08+00:00maio 13th, 2014|Notícias|

Presidente da Conferência dos Bispos da Nigéria fala à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) sobre o sequestro de quase 300 meninas nigerianas.

Nesta noite completa um mês do sequestro de 276 meninas de uma escola pública secundária da cidade de Chibok,no Estado de Borno, na Nigéria. O Boko Haram, organização fundamentalista islâmica de métodos terroristas, que busca a imposição da lei Sharia no norte da Nigéria, admitiu a responsabilidade pelo crime ainda não resolvido.

Ontem, dia 12 de maio, durante a Conferência de Liberdade Religiosa organizada pela AIS, em Malta, Dom Ignatius Kaigama, Bispo da Diocese de Jos e Presidente da Conferência dos Bispos da Nigéria, falou à Ajuda à Igreja que Sofre sobre o grave problema. A entrevista foi conduzida por Maria Lozano.

Dom Kaigama, esta não é a primeira vez que o Boko Haram praticou violência contra vítimas inocentes na Nigéria, mas agora o golpe chocou o mundo.

Eles queriam ferir o coração da Nigéria. Estou muito preocupado. Essas meninas nunca saíram de sua pequena cidade e agora elas estão no meio do mato. Eu só rezo para que os valores religiosos que o Boko Haram promove sejam suficientes para influenciá-los a respeitar a dignidade dessas meninas. Elas são apenas meninas inocentes e qualquer ser humano se sente mal por isso. A vida é sagrada.

É trágico que algo tão horrível tenha que ocorrer para atrair a atenção do mundo.

Sim, o Boko Haram já praticou uma série de ataques e matou milhares de pessoas desde 2009. Em minha diocese, já sofremos vários ataques, por exemplo, na Igreja de São Finbarr, onde 14 pessoas morreram. Em fevereiro, o grupo matou mais de 100 cristãos em aldeias de Doron Baga e Izghe, mas a comunidade internacional não respondeu. Desta vez foi diferente, acredito que por serem jovens inocentes e por tocar diretamente no sofrimento das mulheres, mães dessas crianças. Além de que as mulheres se identificam mais com a dor dos outros e duas das mães começaram as manifestações.

Embora o Boko Haram esteja perseguindo os cristãos e tente islamizar todo o país, é verdade que essa perseguição e violência estão afetando também a comunidade muçulmana?

Sim. No início, era mais a ideia de destruir o cristianismo, os chamados “valores ocidentais” e implantar um Estado regido pela lei da Sharia no Norte da Nigéria. Então o alvo eram os cristãos, bem como delegacias de polícia e outras instituições que representam os valores ocidentais. Mas, agora, não se pode dizer que eles só estão atacando cristãos. O Boko Haram matou clérigos muçulmanos também. Não é mais sobre o norte ou o sul, nem sobre os muçulmanos ou cristãos. Trata-se de seres humanos. Os nigerianos estão de pé, juntos pela liberdade e dignidade; uma voz comum está crescendo, uma voz que diz: “A violência nunca é o caminho”.

Como muitas das meninas são cristãs, até que ponto elas foram alvo por causa de sua fé?

A maioria das meninas é cristã. A maioria das que escapou é cristã, então podemos supor que isso se aplica àquelas que ainda estão em cativeiro. Mas é verdade que há algumas muçulmanas que também foram sequestradas. Portanto, este incidente é mais uma prova de que o Boko Haram também tem como alvo os muçulmanos.

Houve críticas sobre a reação do governo à violência praticada pelo Boko Haram, especialmente em relação ao rapto das meninas. Essas críticas são justificáveis?

O governo subestimou a ação do Boko Haram e, por isso, foi lento na reação. Parte do problema é que os recursos não foram utilizados do modo correto para fornecer o cuidado, os agentes de segurança e o equipamento adequado.

O que a Igreja Católica está fazendo em resposta aos sequestros?

Nós tentamos o diálogo, mas não deu certo. O governo usou de força e não deu certo. Nesta fase, o que nós precisamos fazer é rezar, só Deus pode mover o coração dessas pessoas. Nós rezamos e pedimos suas orações. Como Presidente da Conferência Episcopal, escrevi para todos os católicos da Nigéria, bispos, sacerdotes e fiéis, pedindo uma hora de adoração e para que ofereçam suas orações a essas meninas.

Pelo que o senhor está rezando?

Estou rezando por três coisas: a primeira é que eles libertem as meninas em breve e sem danos; a segunda é que o Boko Haram pare com esses ataques e abandone a violência; e, em terceiro, pelos benefícios da ajuda de outros países ao redor: que os países se unam e lutem contra o terrorismo, a fome, a pobreza, para criar uma unidade autêntica e não apenas para servir políticos e interesses hipócritas.

Este problema já se arrasta há cinco anos. Tem esperança de que a comunidade internacional possa resolver este problema agora?

Temos de estar juntos, esta é a única solução. O Boko Haram tem armas, mas como essas armas chegaram aos terroristas? De onde vem esse dinheiro? Quem está treinando-os? Eu acredito que a comunidade internacional pode lidar com isso. Eu sou um sacerdote, não é a minha tarefa, mas sinto que se os governos internacionais trabalharem juntos podem fazê-lo. A Nigéria desempenha um papel importante na África e no mundo. É melhor ajudar agora, em vez de esperar até que seja tarde demais.

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