//“Todos os dias experimentamos o que significa ocupação”

“Todos os dias experimentamos o que significa ocupação”

2013-12-03T18:11:51+00:00agosto 21st, 2013|Notícias|

Os israelitas e palestinos estão de volta à mesa de negociações. E o que esperam os cristãos da Terra Santa? E o que será daqueles que vivem sob ocupação israelense?

“Os assentamentos judaicos nos circundam por completo e isso dificulta muito a vida de nós palestinos”, afirma o Pe. Louis Hazboun, que nasceu em Belém e desde o ano passado é pároco da igreja católica romana de Bir Zeit, uma pequena cidade perto de Ramallah. Esta área ocupada desde 1967 por Israel é rural e pitoresca: a vila é tranquila, rodeada por olivais e campos de pequenos cultivos, possui uma população mista de muçulmanos e cristãos: aproximadamente 4.000 dos seus 7.000 habitantes são muçulmanos e o restante, católicos, ortodoxos e anglicanos.

Lá, estas religiões coexistem pacificamente há muito tempo, mas, por causa de assentamentos israelitas que rodeiam a cidade, a situação já não é tão pacífica como antes. “Muitas vezes os colonos cortam nossa água ou nossa luz, porque eles precisam para si mesmos, e isto nos limita muito. E o que é pior: no nosso próprio país! Todos os dias experimentamos o que significa a palavra ‘ocupação'”, disse o Pe. Hazboun.

Este sacerdote católico recorda aos visitantes da Associação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) o drama dos checkpoints (pontos de controle de entrada e saída de viajantes), que impedem a livre circulação dos palestinos nestas terras. Muitas vezes, soldados israelenses de 18 anos de idade decidem se um idoso de 80 anos pode cruzar ou não os limites do território ocupado. “Existe uma grande arbitrariedade e o procedimento é humilhante”, disse o sacerdote, que também falou das consequências econômicas da ocupação: “Israel decide o que nós podemos importar. Então, quando eles têm um excedente de, por exemplo, azeitonas, inundam nossos mercados com elas a preços mais baixos que os dos nossos agricultores.”

Tenhamos em conta que para muitas famílias cristãs, a agricultura é crucial. Antes da construção do muro, que separa Israel dos territórios agora ocupados, muitos cristãos costumavam trabalhar perto de Jerusalém, cujas proximidades estão há apenas 20 km de Bir Zeit. Em grande parte dos casos isto não já não é possível devido a exaustivos controles e restrições de entrada de palestinos no território de Israel. Apenas uns poucos cristãos de Bir Zeit trabalham no Patriarcado Latino de Jerusalém ou como médicos ou professores das escolas cristãs fora do muro. “Bem que gostaríamos, mas a Igreja não pode oferecer trabalho para todos os cristãos,” lamenta o Pe. Hazboun, enfatizando que por estas razões, muitos cristãos ficam desempregados, e isso traz graves consequências: “Temos uma lista de homens adultos que querem se casar e constituir uma família, mas não podem fazê-lo porque não teriam como sustentá-la. Consequentemente cada jovem que pode emigrar, o faz”.

O leigo Yusef Daher observa este êxodo de cristãos da Terra Santa, com grande preocupação. Este católico dirige o ‘Interchurch Center’, uma instituição ecumênica com sede em Jerusalém que defende os direitos dos cristãos na Terra Santa. Yusef Daher afirma que “existe atualmente cerca de 1 milhão de palestinos cristãos, mas apenas 20% deles vivem nos territórios que hoje constituem o Estado de Israel ou estão sob sua ocupação. O restante vive disperso pelo mundo afora”, diz Yusef Daher em entrevista à AIS.

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