//Síria: um conflito demoníaco

Síria: um conflito demoníaco

2015-07-15T13:57:35+00:00julho 15th, 2015|Notícias|

Após sua visita à Síria, o responsável pelo setor de projetos para o Oriente Médio da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) falou sobre o medo, mas também da esperança dos cristãos.

“O medo, mas igualmente a esperança, são palavras que podem ser usadas para descrever o tom da comunidade cristã síria neste momento”, declarou o Padre Andrzej Halemba, chefe da seção do Oriente Médio da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, ao retornar da Síria. “Eu já havia visitado os locais dos projetos em janeiro. Entretanto, durante a minha última visita, notei uma mudança marcante do estado de espírito. Notícias ruins se empilharam umas sobre as outras desde que eu havia estado lá. As conquistas mais recentes dos rebeldes em Idlib e em outros lugares, foram especialmente deprimentes para os cristãos de Alepo. Eles têm receio e acham que sua cidade está para viver uma onda de violência ainda pior. Lembrando que o distrito cristão de Alepo já havia sofrido ataques violentos dos rebeldes em abril. A moral do povo está completamente destruída”, declarou o Pe. Halemba.

O sacerdote continuou dizendo que “há também o fato de que no início do ano o Líbano praticamente fechou suas fronteiras com a Síria para os refugiados. Isto atingiu e muito os cristãos, pois eles têm mais dificuldades nos outros países da região. O Líbano era o seu refúgio seguro preferido. Agora eles se sentem presos numa armadilha”.

Contudo, o Pe. Halemba disse que encontrou cristãos de outras regiões que estavam cheios de esperança. “Em Maaloula, mas também em Yabroud e em Homs, há uma grande vontade de reconstruir. O povo está retornando para os lugares reconquistados pelo governo sírio. E eles já estão reconstruindo suas casas e as igrejas destruídas. Escolas, como a dos melquitas em Yabroud, estão sendo reabertas. Apesar de tantos anos de guerra, ainda há muita energia e potencial. Isso até me encorajou em meu trabalho. Nós, da Ajuda à Igreja que Sofre, temos de apoiar estes cristãos, especialmente na reconstrução de suas igrejas. Estas casas de oração renovadas são como raios de luz. Elas dão esperança ao povo e transmitem um ambiente de normalidade”. O Padre Halemba falou então sobre como a AIS também apoia projetos pastorais como os de instrução catequética para crianças e adolescentes. “Nós católicos precisamos conhecer nossa fé. Isso nos dá força, mesmo quando os tempos são difíceis”.

O Pe. Halemba ressaltou que a maior parte das doações dadas pela Ajuda à Igreja que Sofre nesta situação está sendo usada para ajuda de emergência. “Nós fizemos doações num montante de cerca de seis milhões de reais, desde o início deste ano. Para nós é decisiva a ajuda aos cristãos, para que eles possam permanecer na Síria. Os que tinham condições já foram embora. Os que permaneceram são os pobres. Eles, ou estão desempregados, ou recebem salários baixos. Enquanto os preços na Síria estão altos. Isto faz com que as pessoas fiquem dependentes do apoio da Igreja”, afirmou o Pe. Halemba.

Ele depois continuou explicando como a Ajuda à Igreja que Sofre apoia as famílias afetadas, ajudando-as a pagar o aluguel, os alimentos e os objetos de higiene, através de parceiros da Igreja local. “Os sacerdotes é que vão ao povo e não o contrário. Eu pude observar isto na cidade de Marmarita. Muitos dos cristãos de Alepo encontraram refúgio nesta cidade cristã. Ela está transbordando, de tão cheia de refugiados. Os aluguéis subiram para as nuvens. Infelizmente, a desgraça dos refugiados é frequentemente explorada. É encorajador ver como as pessoas ficam gratas por esta ajuda”.

No total, a Síria está enfrentando enormes problemas, disse o Pe. Halemba. “Quatro milhões de pessoas já deixaram a Síria. Metade das escolas estão fechadas, quinze mil médicos foram embora e as coisas estão particularmente difíceis para os doentes graves. Estima-se que mais pessoas morreram nesta guerra por falta de cuidados médicos do que pelas batalhas. Algumas pessoas da Igreja calculam que esta foi a causa da morte de mais de 35 mil pessoas. Este número se compara com as 22 mil vítimas diretas da guerra. Mas para mim o pior foi ouvir que houve mais crianças do que mulheres mortas no conflito. Isto, com frequência, é feito de propósito para acabar com a última esperança dos pais. Isto mostra o quanto, na verdade, este conflito é demoníaco”.

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