//Patriarca de Bagdá aos muçulmanos: coragem contra o terrorismo

Patriarca de Bagdá aos muçulmanos: coragem contra o terrorismo

2018-05-14T10:10:41+00:00outubro 23rd, 2014|Notícias|

O Santo Padre recebeu Dom Louis Raphael I Sako, que pede uma estratégia de curto prazo para o retorno dos refugiados e outra de longo prazo contra o fanatismo.

Para vencer a violência cega do Estado Islâmico, é necessária uma “frente comum” de todos os iraquianos, cristãos e muçulmanos, mesmo que, por enquanto, “esteja prevalecendo o medo”. Em várias ocasiões, “eu saí às ruas e testemunhei o que é o verdadeiro islã”; o Estado Islâmico não é a religião de Maomé; “a Nusra e a Al-Qaeda não representam o mundo muçulmano”. “Acreditamos nisso, mas temos que afirmá-lo abertamente”.

As declarações são do patriarca dos caldeus, Dom Louis Raphael I Sako, em conversa com a agência AsiaNews durante uma conferência em Milão, para onde viajou depois de participar do Sínodo dos Bispos sobre a família, no Vaticano. O patriarca acredita no mundo muçulmano e nos líderes religiosos que repudiam a violência dos terroristas, mas acrescenta que “esta falta de coragem” para condenar os ataques, a barbárie e a brutalidade dos jihadistas não ajuda em nada. É preciso um “repúdio público”, forte e claro, assim como a condenação da violência contra “inocentes agredidos só porque professam outra religião”.

O papa Francisco recebeu em audiência o patriarca de Bagdá e o presidente da Conferência Episcopal do Iraque no dia 17 de outubro. Em pauta, a “dramática situação da comunidade cristã e de todo o Iraque”. Durante o encontro, o papa prometeu uma carta para dar esperança aos cristãos iraquianos.

“Temos uma necessidade urgente de abrigo e alojamento”, diz Dom Sako. “Já alugamos muitos, mas não os suficientes. E a situação deve piorar com a chegada do inverno, da chuva, da neve e do frio… Não é possível sobreviver a isto”.

Para o patriarca de Bagdá, agora é necessário também um testemunho concreto de solidariedade moral e espiritual: “Durante muito tempo, nós fomos uma Igreja isolada. Agora serão necessárias visitas, exemplos da vida comum. Grupos de jovens, freiras, leigos, sacerdotes do ocidente que visitem as famílias cristãs no Iraque, entrem nas casas, estejam no meio das pessoas. Isso pode ajudar mais do que o dinheiro”.

O patriarca avisa também que “só com bombardeios aéreos não vão derrotar o Estado Islâmico. Vão causar, além disso, outras vítimas inocentes”. Ele afirma que surge daí o crescente desejo de muitas famílias de “desaparecer” e que “a atitude de alguns sacerdotes, que fomentam este fenômeno, condena em vez de ajudar”.

Mas há pequenos sinais de esperança. Dom Sako explica que “estamos construindo escolas com material pré-fabricado, quatro em Erbil e mais quatro em Dohok”, no Curdistão iraquiano. Entretanto, continua sem solução o caso da planície de Nínive, onde as milícias jihadistas impedem o retorno dos desabrigados.

O patriarca de Bagdá espera “uma solução no curto prazo” para expulsar os grupos extremistas e “uma estratégia de longo prazo” para lutar contra o fanatismo, através da participação dos imãs nas mesquitas, dos especialistas na lei islâmica, dos estudiosos que apresentem uma nova interpretação do islã.

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