A simples posse de uma Bíblia basta para justificar a prisão e o encaminhamento para um dos vários campos de concentração existentes no país.

Mais de 40 organizações internacionais defensoras dos direitos humanos exigiram nesta terça-feira (03/04) que a ONU inicie uma investigação para tentar encerrar os campos de concentração na Coréia do Norte, onde se estima que vivam, em condições miseráveis, entre 50 a 70 mil cristãos num universo de cerca de 200 mil prisioneiros.

Estes campos são uma das principais catástrofes humanas do mundo atual. No relatório enviado às Nações Unidas por estas organizações não-governamentais, são mencionados os trabalhos forçados de mais de 12 horas por dia sem interrupções a que os detidos estão sujeitos, em troca de uma porção de cerca de 20 grãos de milho.

“É uma quantidade tão ínfima que os detidos são obrigados a irem até os dejetos das vacas para encontrar grãos não digeridos e escapar, assim, da morte”, lê-se no comunicado em que as ONGs exigiram a intervenção da ONU, com base no testemunho de um prisioneiro que conseguiu fugir de uma das prisões norte-coreanas.

Entre os detidos nestes campos de concentração, os cristãos constituem um dos mais expressivos grupos, havendo relatos de que frequentemente são sujeitos a torturas e violações. O culto religioso é extremamente perigoso, obrigando os cristãos a reunirem-se clandestinamente. Alguns relatos que chegam da Coréia do Norte indicam que muitos cristãos têm as suas Bíblias escondidas, muitas vezes até enterradas, para não serem descobertos pelas autoridades.