//“O pior crime da história do Paquistão cometido em nome da religião”

“O pior crime da história do Paquistão cometido em nome da religião”

2014-11-19T11:58:20+00:00novembro 19th, 2014|Notícias|

Após serem acusados de queimar algumas páginas do Alcorão, um casal cristão foi incinerado em um forno de tijolos por um grupo de muçulmanos no Paquistão.

Shama Bibi, grávida de quatro meses, e seu marido, Shahbaz Masih, eram trabalhadores em uma fábrica de tijolos na aldeia de KotRadhaKishan, na província de Punjab, ao sul de Lahore.

A tragédia seguiu na linha de decisões do tribunal do mês passado que condenou à morte uma mulher cristã, Asia Bibi, declarada culpada por blasfêmia em 2010. Desde os anos 1990, muitos cristãos foram acusados de profanar o Alcorão ou de cometer blasfêmia. Enquanto sentenças são derrubadas por falta de provas, uma mera acusação de blasfêmia pode incitar a violência da multidão.

O Coordenador Regional do Paquistão da Iniciativa das Religiões Unidas, Frei James Channan, OP, antigo Vice Provincial da Ordem Dominicana no Paquistão, para a qual trabalha como diretor do Centro de Paz, fez a seguinte declaração à Ajuda à Igreja que Sofre: “O ato bárbaro por fanáticos muçulmanos paquistaneses de queimar vivo um casal cristão pobre é um crime contra a humanidade. É o pior crime na história do Paquistão cometido em nome da religião; desencadeado pela falsa acusação da queima de algumas páginas do Alcorão”.

“Os muçulmanos e cristãos são vitimados por leis de blasfêmia controversas que estipulam prisão perpétua por profanar o Alcorão e a sentença de morte por difamar ou insultar o profeta do Islã. O problema com estas leis é que, na maioria das vezes, elas são usadas para acertar contas pessoais ou disputas comerciais. Em todo caso, que mente sã iria queimar páginas do Alcorão ou insultar a dignidade do profeta Maomé?”.

O mais problemático é que essas leis são muito vagas; além de a maioria dos paquistaneses serem analfabetos, portanto, a aplicação da lei é muito facilmente abusada por pessoas que tomam as rédeas das decisões, como aconteceu em KotRadhaKishan. “Extremistas muçulmanos, incitados por meras acusações, assassinaram outros muçulmanos, assim como cristãos. Mas a comunidade cristã é mais vulnerável, uma vez que uma acusação contra um único indivíduo pode provocar violência contra sua família, bem como toda a comunidade local. Casas são invadidas, igrejas são incendiadas e pessoas são mortas”.

“Estas leis são tão perigosas que quando uma pessoa é acusada, sua vida no Paquistão se torna impossível. Mesmo que os tribunais eventualmente a declarem inocente, os muçulmanos radicais ainda podem matar a pessoa, o que é considerado um ato digno de louvor. O que deve ser feito? A pressão sobre o nosso governo vinda de outros países vai ajudar. A ONU deve se envolver e condenar tais crimes contra a humanidade, enquanto que a nomeação de comissões de inquérito para investigar as questões na região. Estas são apenas algumas das medidas que podem ajudar a pôr fim a tais atos bárbaros como a morte cruel do casal cristão e seu bebê ainda na barriga”.

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