//O Paquistão depois de “O pior crime da história cometido em nome da religião”

O Paquistão depois de “O pior crime da história cometido em nome da religião”

2018-05-11T17:45:42+00:00 dezembro 3rd, 2014|Notícias|

A brutalidade do ato dificilmente pode ser superada: no início de novembro, um casal cristão foi espancado e queimado até a morte na província paquistanesa de Punjab. Os dois tinham 30 anos; a mulher estava grávida. A acusação: profanação do Alcorão. O pano de fundo: o artigo 295 do Código Penal do Paquistão, a chamada lei da blasfêmia, que mais promove do que evita o uso arbitrário do poder contra pessoas de diferentes credos. O ato chocante destaca a situação das minorias na República Islâmica do Paquistão.

Dom Joseph Arshad, de Faisalabad, bispo da região noroeste do Paquistão, está ciente das dificuldades que enfrentam os não-muçulmanos e especialmente os cristãos em sua terra natal todos os dias. Ele confirmou isso durante uma conversa com a Fundação Pontifícia ACN: “A influência dos fundamentalistas cresceu imensamente nos últimos anos. Tudo pode acontecer e a qualquer momento. Por esta razão, muitos compatriotas que não querem a mudança optam por permanecer em silêncio.”

Dom Arshad, no entanto, que assumiu o cargo em novembro de 2013, não quer aceitar este cenário. Ele coloca suas esperanças nos jovens, pois mais de 1/3 dos 180 milhões de habitantes do Paquistão têm menos de 15 anos de idade. Dom Arshad disse: “60% dos paquistaneses são analfabetos. Nós podemos fazer uma mudança através da educação. Ao fazê-lo, nós também queremos alcançar aqueles que não são capazes de ir para a escola. Nosso país tem muitas pessoas ricas e muitas muito pobres. O que falta é a classe média. Para melhorar esta situação, no entanto, todos os poderes políticos e sociais têm que trabalhar juntos.”

Por esta razão, o bispo considera que é importante manter boas relações com os líderes muçulmanos. Ele acrescentou: “Não é fácil para qualquer jovem paquistanês, seja muçulmano, seja cristão, encontrar trabalho. Os jovens estão deprimidos e os que podem saem do país. Além disso, os jovens cristãos estão sendo discriminados: isso torna ainda mais difícil encontrar um trabalho para eles. Viver a fé é um novo desafio a cada dia. Mas estamos tentando dar força e convencê-los a ficar.”

De acordo com o bispo, existem 60 escolas católicas da diocese de Faisalabad. A maioria de seus 30.000 alunos é muçulmana, mas também há muitos cristãos. Estudar juntos pode tornar mais fácil a convivência, comentou Dom Arshad. Há também planos para reabrir uma escola técnica em um futuro próximo, que irá incluir habitação para estudantes que moram longe. Atualmente, 185 mil católicos vivem na região das 23 paróquias da diocese e são atendidos por 46 sacerdotes diocesanos e religiosos. Um aspecto fundamental do trabalho destes padres é a assistência pastoral à famílias e jovens. Dom Arshad, que vem de Lahore, onde também estudou jornalismo quando jovem, enfatizou: “A pregação é importante. Aqueles que recebem uma boa educação são capazes de viver a fé, mesmo em um ambiente difícil.”

Dom Arshad aparentemente não se intimida com tarefas complexas. Antes do Papa Francisco o mandar para Faisalabad, ele atuou no serviço diplomático do Vaticano. Na diocese, ele coloca suas esperanças na coesão dos sacerdotes e dos fiéis, “nas paróquias, que podem englobar até 150 aldeias, os religiosos são apoiados por seis ou sete catequistas; em algumas aldeias o padre vem apenas uma vez por ano. Os catequistas recebem um salário para que possam dedicar-se totalmente às suas tarefas. Cada catequista é responsável por cerca de 20 aldeias”. Todos os domingos, os padres celebram a Eucaristia em três ou quatro locais diferentes, a fim de alcançar o maior número de fiéis possíveis.

A AIS tem apoiado a pastoral na diocese de Faisalabad há anos. No momento, o foco principal está na construção e reparação de igrejas e capelas, bem como na construção de habitações para os catequistas e religiosos.

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