//“O mais importante é o encontro”

“O mais importante é o encontro”

2017-01-18T12:50:54+00:00dezembro 19th, 2016|Notícias|

Entrevista com Peter Humeniuk, coordenador de projetos da ACN (Ajuda à Igreja que Sofre) para a Europa do Leste e Rússia, a quem foi dada a oportunidade de falar sobre nossos trabalhos e sobre o Pe. Werenfried no dia 23 de novembro numa conferência internacional organizada pela Universidade Ortodoxa de Moscou.

Eva-Maria Kolmann: A ACN (Ajuda à Igreja que Sofre) foi recentemente convidada para uma conferência internacional organizada pela Universidade Ortodoxa de Moscou, onde você representou a ACN. Por favor, nos fale sobre esse momento.

Peter Humeniuk: Foi uma experiência muito agradável. Durante a conferência, que teve o título “O Presente Inesperado da Misericórdia”, realizou-se uma exposição e uma palestra sobre a ACN e o trabalho da vida de nosso Fundador, o Padre Werenfried. A Universidade Ortodoxa não está longe da Praça Vermelha, local onde, há quase 25 anos, no dia 13 de outubro de 1992, o Padre Werenfried rezou o rosário. Foi maravilhoso poder realizar a palestra lá. O convite da Igreja Ortodoxa mostra que os nossos esforços para estabelecer um diálogo com a Igreja Ortodoxa na Rússia, que iniciamos em 1992 em resposta a um pedido do Papa João Paulo II, também estão sendo apreciados por parte da Igreja Ortodoxa. A Universidade Ortodoxa de Moscou é uma instituição muito importante. Ter sido convidado lá como uma obra de caridade pastoral católica tem o seu significado.

O que você destacaria de mais notório?

Foi especialmente grande o fato de muitos da plateia terem vindo até mim após a palestra para me fazer perguntas. Eles estavam claramente fascinados pelo que fazemos e pelo que o Pe. Werenfried fez. Acho que o mais importante é o encontro pessoal, dar testemunho, conhecer uns aos outros e entrar em diálogo. Foi também um prazer ver quanto empenho o organizador russo do evento colocou na exposição de fotos. Embora tenhamos fornecido as fotografias dos nossos arquivos, a exposição em si foi criada pelos organizadores locais, que trabalharam excepcionalmente bem. Esses são pequenos fatos, mas são um sinal claro da alta consideração em que somos mantidos. Representantes da revista Russia Christiana e da Dukhovnaya Biblioteka, um centro cultural ecumênico em Moscou, cujo trabalho temos promovido com conselhos e apoio por muitos anos, bem como um antigo funcionário do Ministério do Exterior do Patriarcado de Moscou também contribuíram substancialmente para o evento. A colaboração foi acima da média.

O que isso significa para a ACN?

Para nós é uma confirmação de que nossos esforços e trabalho são apreciados e honrados pelas igrejas católica e ortodoxa na Rússia. É gratificante que, logo após a histórica reunião do Papa Francisco e do Patriarca Kirill, em Havana, em fevereiro deste ano, estivéssemos entre os primeiros a agir em resposta à sua mensagem conjunta. Durante este encontro, os dois líderes da Igreja falaram especificamente sobre a necessidade de católicos e ortodoxos trabalharem juntos para ajudar os cristãos no Oriente Médio e para promover a paz na Síria. Como primeira reação a isso, em abril deste ano, a ACN convidou uma delegação católica-ortodoxa da Rússia a se reunir com representantes das igrejas na Síria e no Líbano para planejar e iniciar campanhas conjuntas.

Quando o Patriarca Kirill recentemente comemorou seu 70º aniversário, o Cardeal Kurt Koch (cardeal católico suíço e Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) estava entre os mais próximos. O patriarca expressamente elogiou o encontro que iniciamos em Damasco. É bom ver que o documento conjunto do Papa e do Patriarca já está começando a dar frutos e que nós, da ACN, podemos ajudar a garantir que as preocupações dos líderes da igreja não existam apenas em forma abstrata no papel, mas são postos em ação. Isso realmente ajuda as pessoas. Num próximo passo, a documentação sobre os cristãos que sofreram o martírio na Síria deve ser recolhida, incluindo uma compilação dos danos causados às casas de Deus cristãs.

Existem outros exemplos de medidas conjuntas que estão atualmente em curso?

Sim, claro. Gostaria de mencionar um outro: um grupo de trabalho católico-ortodoxo foi formado na Rússia, em que inclusive fui convidado a participar como um representante da ACN. Este grupo de trabalho não se preocupa apenas com possíveis campanhas conjuntas na Síria e no Oriente Médio, mas também com outro tema muito importante. O Papa e o Patriarca de Moscou também falaram sobre suas preocupações mútuas para a proteção da vida humana e da família cristã. O grupo de trabalho católico-ortodoxo recentemente se reuniu com a Cúria do arcebispo católico de Moscou para discutir o que as duas igrejas poderiam fazer como, por exemplo, uma campanha contra o aborto. Isso é algo que não é meramente teórico; as crianças estão realmente sendo salvas por isso. Não é esta a mais bela evidência de que juntar forças é um esforço valioso?

O que você conclui a partir desses fatos?

Eu acho que os eventos históricos que estão acontecendo paralelamente aos nossos esforços são um sinal de que uma colaboração entre católicos e ortodoxos é necessária em vista destes desafios mais urgentes. Aqui, penso no genocídio dos cristãos no Oriente Médio, na dignidade da vida, no futuro da família cristã. O diálogo não deve permanecer abstrato, necessita ser reforçado por ações e iniciativas conjuntas. As duas igrejas se juntam para projetos específicos e falam numa única voz. Nesse sentido, o encontro entre o Papa Francisco e o Patriarca Kirill em Havana também deu orientações e foi um apelo para maiores esforços.

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