“Por favor, orem por nós. Este país está morrendo”, pede o Bispo de Hinche, no Haiti. Este apelo urgente da Conferência Episcopal do Haiti foi feito em uma carta aberta dirigida aos líderes políticos do país. Isso deixa evidente a situação local: “É agora que os governantes devem agir para salvar vidas no Haiti! Amanhã, será tarde demais”. Os bispos culpam o agravamento da crise econômica do país, porque provocou a intensificação das manifestações de rua. A carta dos líderes Católicos compara a situação como “um estado de guerra fratricida”.

Em contato com a Fundação Pontifícia ACN o Bispo DéSinord Jean, de Hinche descreveu a angústia que os haitianos têm sofrido há mais de um mês: “as pessoas não podem sair. Estamos fechados em nossas casas. Todas as estradas estão bloqueadas. Mesmo em casos urgentes, por exemplo ambulâncias ou carros de emergência, não podem se locomover. Não temos combustível. Os mercados não estão funcionando. As escolas foram fechadas por todo o país.  A situação afeta toda a nação”, diz.

O Haiti está morrendo

A situação da população no país mais pobre no hemisfério ocidental é devastadora. Entre os desafios que o Haiti teve de enfrentar, temos a reconstrução do país após o terrível terremoto de 2010 e, em 2016, o furacão Mateus. Tem ainda uma epidemia de cólera e uma economia estagnada em um clima político altamente polarizado.

A agitação social marcou o mandato do Presidente Jovenel Moïse. Uma das razões é a pobreza extrema e a falta de oportunidades de emprego. O Bispo Jean confirma isto: “80%  das pessoas no país estão desempregadas. E isso em um país onde 65% da população é jovem. A pobreza extrema tira toda a esperança das pessoas”.

Entretanto, acusações de corrupção provocaram violentas manifestações de rua. Dom Jean disse que “destruir o país não é uma solução. É provavelmente uma maneira de expressar a frustração, mas não é a solução. Temos que encontrar outro caminho”.

Cobrança ao governo

Na carta aberta, os bispos haitianos chamam os altos oficiais do estado para que “assumam suas responsabilidades e garantam o bom funcionamento do país e das instituições”. A carta diz  que a liderança do país, em primeiro lugar, o Presidente da República, é “moralmente responsável pela segurança e bem-estar da população. Se o país está em chamas, é por causa de sua irresponsabilidade”.

O Bispo Jean diz que “apesar de nossa fala repetida por quase dois anos, os políticos do Haiti permanecem surdos. Em julho de 2018 já tivemos uma grande crise e o governo não fez nada. Mas os outros partidos políticos também devem trabalhar em uma solução. A pior coisa é que as diferentes facções não estão abertas para qualquer diálogo”.

Dom Jean fez um apelo urgente a todos os católicos para acompanhar o Haiti “nesta difícil e dolorosa jornada pelo deserto” como está escrito na carta dos bispos. Ele disse aos benfeitores da ACN: “Quero agradecer à ACN e a todos os seus benfeitores pelo apoio ao Haiti ao longo dos anos. Eles têm sido muito generosos e sabemos que amam nosso país. Agora precisamos de suas orações, por favor, orem por nós. Este país está morrendo. Sabemos que Deus está conosco, mas às vezes podemos nos sentir desencorajados. Precisamos sentir o apoio de suas orações.”