“O apoio da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) foi imediato e decisivo. Sem ele seríamos capazes de providenciar acomodações para milhares de famílias”, declarou o bispo Dom Bashar Warda, arcebispo católico caldeu de Erbil, durante uma conferência organizada pela AIS em Roma. Desde o início da atual crise iraquiana, em junho de 2014, a Ajuda à Igreja que Sofre já doou mais de 21 milhões de reais. Segundo o bispo, as contribuições da AIS constituem 60% do total das doações recebidas pela diocese de Erbil.

Dom Warda descreveu como a sua diocese respondeu à crise humanitária depois da chegada de 120.000 refugiados cristãos no Curdistão entre junho e agosto do ano passado. “No início, nós montamos 26 pontos de assistência dentro da diocese. As pessoas estavam dormindo em tendas, ou em edifícios abandonados. Atualmente, eles todos tem acomodações decentes”.

Já faz um ano que o grupo “Estado Islâmico” (EI) tomou Mossul, na noite de 9 para 10 de junho de 2014. “Durante todo este tempo, a Igreja ajudou o povo a manter sua confiança no futuro e a manter a nossa comunidade unida”, declarou o Dom Warda. Porém, cerca de 8.000 cristãos fugiram para oLíbano, Jordânia e Turquia.

O futuro incerto e a falta de segurança, levaram a Igreja a procurar abrigos permanentes para os refugiados. “Mesmo se Mossul e a Planície de Nínive fossem libertadas imediatamente, levaria um ano para que as pessoas pudessem retornar para as suas casas, afirmou Dom Warda. Entretanto, é preciso também investir na reconstrução e no desenvolvimento das regiões que já foram retomadas das mãos do EI. “Se Tikrit fosse retomada, ninguém retornaria para morar lá”, disse Dom Warda. “Afinal de contas, quem quereria morar sobre escombros, numa cidade destruída”?

Dom Warda apelou para que a comunidade internacional pressione o governo iraquiano. Divisões internas não podem ser mais importantes do que encontrar soluções concretas”. Ele também acha que uma intervenção militar é necessária. “O grupo Estado Islâmico é um câncer e temos de impedi-lo de se espalhar”.

A perseguição aos cristãos também precisa acabar. “Estão obrigando os cristãos a escolher entre pagar um imposto para continuar lá, a jiziya, se converter ao islamismo, ou ir embora. Está bem claro que estamos tendo de enfrentar uma perseguição, apesar de algumas vezes nos considerarem apenas como danos colaterais”.

Dom Warda tem esperança de que o Papa Francisco possa em breve visitar Erbil. Na última vez em que nos encontramos, em novembro de 2014, ele mesmo me disse que gostaria de vir nos visitar. Uma vinda do Papa teria um impacto muito forte na comunidade cristã.

O presidente da Ajuda à Igreja que Sofre na Itália, Alfredo Mantovano, apelou para que os católicos acompanhem sempre a perseguição aos cristãos em geral e não só as tragédias que se repetem, como os ataques à Universidade de Garissa. Ele também acrescentou: “a AIS está ajudando milhares de famílias cristãs a retornar a uma vida quase normal. O nosso próximo objetivo deverá ser o de conseguir que estas pessoas possam retornar para as suas regiões de origem. Estas regiões são incrivelmente interessantes, tanto do ponto de vista histórico, quanto religioso”.