Padre Boniface Isenge, da Diocese central de Rumbek, esteve na sede da Fundação Pontifícia ACN e relatou um pouco de sua missão no Sudão do Sul. A Igreja Católica viveu em outubro de 2019 o Mês Missionário Extraordinário. O trabalho missionário da Igreja é geralmente desenvolvido sob circunstâncias difíceis: em meio à perseguições, pobreza e guerra. Isto vale também para o Sudão do Sul. Centenas de milhares de feridos, milhões de refugiados – o país foi deixado em estado de completa desolação em razão da guerra civil que teve início em 2013. Naquele momento, o país africano estava em seu segundo ano de independência. A guerra se prolongou até o cessar fogo do ano passado.

Padre Boniface Isenge, Diocese de Rumbek

Segundo o Padre Boniface, cerca de 38% dos cerca de 13 milhões de sul-sudaneses são cristãos. Aproximadamente 180.000 católicos vivem em sua Diocese. Ele conta que, para muitos, a Igreja Católica é a única instituição em funcionamento no país. Quando era um jovem padre, ele viveu na vizinha Etiópia, durante 8 anos, antes de resolver ir para o Sudão do Sul em 2013. “Depois que o país obteve sua independência, minha congregação começou a procurar urgentemente padres e missionários para trabalhar lá. Eu queria fazer algo novo e estava pronto para esta nova missão” recorda o Padre Boniface. Ele considera sua vocação levar a paz a essa região devastada pela guerra.

Primeira missão no Sudão do Sul: educar

Quase imediatamente após sua chegada para a missão no Sudão do Sul, o Padre descobriu que seus paroquianos precisavam de escola e ensino de qualidade. “Em alguns casos, as escolas no Sudão do Sul são muito distantes” lamentou ele. “São superlotadas: geralmente há 60 alunos em cada classe e às vezes mais de 100 pessoas têm aula no mesmo lugar”. De acordo com as estatísticas oficiais, cerca de três quartos de todos os habitantes do Sudão do Sul com mais de 15 anos são analfabetos. O Padre logo se deu conta de que “a educação era a chave para eliminar as tensões recorrentes entre a população. A educação vai trazer a paz!”.

Por isso, além do seu trabalho pastoral, o Padre Boniface concentra seus esforços na comunicação com os pais sobre a importância da educação para seus filhos. Não apenas porque as perspectivas das crianças serão melhores do que aquelas da geração precedente, apesar do Estado em ruínas e dos problemas enfrentados pelo país. Mas também para aumentar sua independência. “Porque 17% de todos os casamentos se realizam ainda com meninas menores de idade. Isso infelizmente continua a ser uma prática comum por aqui”, disse o religioso.

Fome e doenças: outros desafios enfrentados

Além de ser o terceiro país mais pobre do mundo, os preços no Sudão do Sul são comparativamente elevados. Muitos não conseguem comprar sequer os alimentos mais básicos e dependem de ajuda e apoio. O país também está sobrecarregado com muitos outros problemas decorrentes de várias doenças, como por exemplo a malária.

Entretanto, apesar de tanta adversidade, o Padre Boniface não perde a esperança: “Meu mais sincero obrigado a todos aqueles que nos apoiam e estão perto de nós pelas orações. Eu espero que no futuro seja possível viver uma vida boa no Sudão do Sul”.

Desde 2015 a ACN intensificou ainda mais sua ajuda para a Igreja do Sudão do Sul, tornando realidade projetos tais como reconstrução de igrejas e edifícios pastorais, além da formação de padres.