//Na Nigéria: o maligno Boko Haram

Na Nigéria: o maligno Boko Haram

2014-09-08T19:19:53+00:00 setembro 8th, 2014|Notícias|

O mundo cristão está focado no Iraque, onde milhares de fiéis estão refugiados em seu próprio país, perseguidos e brutalmente atacados pelos radicais do Estado Islâmico. Enquanto isso, o país mais populoso da África está sob o cerco das forças jihadistas, igualmente determinados a impor sua mão de ferro por meio de uma campanha de assassinatos implacável e que recentemente começou a recrutar meninos de 10 anos para usá-los como homens-bomba.

Essa é a situação na Nigéria, onde uma resposta bastante vazia do governo deixou os líderes da Igreja entre as poucas figuras públicas remanescentes na confiança das pessoas. Entre eles está Dom Ignatius Kaigama, de Jos, presidente da Conferência Episcopal da Nigéria, um dos prelados católicos mais sólidos e corajosos do país. Com a cidade de Jos sitiada, o arcebispo está claramente em perigo. No entanto, ele se recusa a usar escolta armada para fazer suas visitas pastorais.

“Eu não tenho segurança específica” – diz ele à Associação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), em uma recente visita a Nova York – “Isso seria um ímã para os facínoras.” Além disso, o arcebispo afirma: “Me protegendo me faria um prisioneiro. Isso poderia trazer medo às pessoas. Imagine se os sacerdotes usassem proteção! Nós cremos que Deus está conosco. Acreditamos que vamos triunfar apesar das maquinações” dos terroristas.

O arcebispo considera que sua tarefa é “estar presente”, para sair no meio do povo “mesmo que a violência esteja ocorrendo nas proximidades”. “Os nossos líderes simplesmente não são muito sensíveis aos pobres”, enquanto a Igreja, mesmo com suas “possibilidades limitadas”, faz o que pode para ajudar os cristãos e muçulmanos” alcançando além das fronteiras políticas e religiosas”.

Mesmo antes da chegada do Boko Haram o arcebispo foi um dos pioneiros do que ele chama de “Diálogo da Vida.” Uma abordagem realista da aproximação entre muçulmanos e cristãos, que aponta a grande divisão teológica entre as duas religiões e enfatiza o estabelecimento de amizade e conexão no nível mais básico. O “Diálogo” simplesmente reconhece que “sua vida afeta a minha e a minha afeta a sua”, como o arcebispo diz.

Dom Kaigama não mede suas palavras: “quando você mata e destrói não só os combatentes, mas as mulheres e as crianças, os pobres, isso é o mal. Aqueles que morreram no mercado de Jos (se referindo aos dois ataques-bomba do Boko Haram em um único dia em maio, que deixaram mais de 100 mortos) foram vendedores de laranja, de amendoim, de leite… procurando fazer um pouco de dinheiro. Isto é uma expressão do mal”.

“É normal ter medo”, diz o arcebispo, “mas eu dei tudo para servir a Deus e a seu povo. Eu não tenho uma família biológica, nem posses que eu possa chamar de minhas. Se eu perder minha vida no processo de defesa dos direitos das pessoas à liberdade de culto e da unidade da humanidade, não gostaria de deixar para trás nenhum passivo. Ainda assim, tenho medo da morte, o que é uma verdade para todos. “

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