//Muro israelense: um Bispo adverte sobre o enfraquecimento dos cristãos da Palestina

Muro israelense: um Bispo adverte sobre o enfraquecimento dos cristãos da Palestina

2013-05-16T17:27:50+00:00maio 16th, 2013|Notícias|

O Bispo Auxiliar de Jerusalém, Dom William Shomali, advertiu sobre o enfraquecimento da presença cristã na Palestina como resultado da construção do muro que vem sendo feito pelos israelenses. O Bispo responsável pelos territórios palestinos do Patriarcado Latino de Jerusalém falou com a associação católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre, depois da rejeição no dia 24 de abril, por parte de um tribunal israelense, da denúncia contra a construção da barreira de segurança no vale de Cremisan, que separaria entre a Palestina e Israel duas instituições católicas e 58 famílias da fonte do seu sustento. Ao final de um processo judicial de seis anos de duração, o tribunal considerou que, devido a aspectos de segurança, está justificado o fechamento da passagem a terrenos de 58 famílias cristãs para a construção do muro.

O Bispo Auxiliar Shomali assinalou que “certamente, no caso Cremisan, apenas 58 famílias são afetadas e não toda a comunidade cristã Palestina, mas, quantos mais fatos como este acontecerem aqui, mais será afetada toda a comunidade”. Além disso, assinala Dom Shomali, também supõe um enfraquecimento da comunidade cristã o fato de que o mosteiro dos Padres Salesianos seja separado dela. “A comunidade cristã sempre encontrou inspiração espiritual neste mosteiro”, lembrou o prelado, referindo-se ao fato de que o percurso do muro separará as casas dos Salesianos e das Salesianas. “O plano dos militares prevê que o convento com sua escola fiquem no lado palestino, e o mosteiro, no lado israelense. Até agora, os Padres Salesianos eram os sacerdotes que atendiam tanto as religiosas como a pastoral na escola.

Dom Shomali não se convence da decisão do tribunal de Tel Aviv: “O sistema judicial israelense é excelente desde que não se trate de questões de segurança, e, neste caso, este aspecto foi prioritário. O tribunal considerou que o futuro muro deve ter o percurso planejado para proteger o assentamento de Gilo, situado em frente a Beit Jala. Nós não vemos assim”. Na decisão do tribunal influiu a promessa do Exército israelense de abrir uma passagem terrestre para as famílias afetadas, mas Dom Shomali não acredita nisso. “No futuro será possível impedir o acesso livre aos terrenos, e a ameaça da expropriação continua presente. E não esqueçamos que pedimos justiça, pois é injusto que famílias que dependem da produção da azeitona se vejam separadas de suas oliveiras. Esta terra é Palestina”. Segundo o bispo, Israel poderia erigir a barreira na Linha Verde, que, até a ocupação da Cisjordânia em 1967 por Israel, representava a fronteira entre este país e os territórios palestinos.

Não obstante, Dom Shomali acredita que nem tudo está perdido: o advogado das famílias afetadas conseguiu deter momentaneamente a construção do muro apresentando a denúncia no Tribunal Supremo (a última instância jurídica israelense). “Continuamos acreditando na justiça do Tribunal Supremo israelense, do contrário, não seguiríamos lutando. Com boa vontade e pressão política poderia alcançar-se outro resultado”. O Bispo considera muito positiva a pressão diplomática do exterior: já no julgamento em primeira instância estiveram pressentes diplomatas estrangeiros. Mas, “apesar disto, a decisão do tribunal foi negativa para nós, no entanto, sua presença impressionou os juízes, e por isso fomos tratados com respeito”.

Uma organização católica de direitos humanos chamada Sociedade Saint Yves, presente em Jerusalém, comunicou à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) que ainda não estava claro quando começaria o julgamento no Tribunal Supremo nem quanto tempo este duraria, mas que ao ser este Tribunal Supremo a última instância, seria necessário negociar o caso. A Sociedade Saint Yves, que opera sob o patrocínio do Patriarcado Latino, representou as Salesianas em primeira instância. Agora a Sociedade também se propõe a apresentar sua denúncia o quanto antes perante o Tribunal Supremo. Ainda não se sabe se isto será feito junto com as famílias, assinalou à AIS uma colaboradora da Sociedade.

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