//“Minha catedral pode esperar, devemos primeiro reconstruir as relações inter-religiosas”

“Minha catedral pode esperar, devemos primeiro reconstruir as relações inter-religiosas”

2018-05-11T17:06:37+00:00janeiro 19th, 2018|Notícias|

Bispo nas Filipinas, cuja catedral e casa foram destruídas por extremistas, declarou quesua principal prioridade é reconstruir relações inter-religiosas e curar o trauma do seu povo.

 

O bispo Edwin De La Peña disse que a reconciliação é vital em Marawi, cidade no sul das Filipinas que foi devastada por extremistas islâmicos afiliados ao grupo autodenominado Estado Islâmico (EI). Seis semanas após o governo das Filipinas ter declarado vitória sobre os terroristas, Dom De La Peña, de Marawi, disse que sua tarefa agora é ajudar a formar os jovens muçulmanos da cidade a fim de se tornarem “catalisadores da paz” imunizando-os contra o que ele chamou de “tentáculos persuasivos do extremismo”.

O bispo disse que – ao invés de reconstruir sua catedral queimada e a casa episcopal – sua prioridade imediata é uma série de iniciativas, incluindo sessões terapêuticas para crianças e um centro de aconselhamento para pessoas traumatizadas pela guerra. Em sua entrevista a Fundação Pontifícia ACN, o bispo de Marawi disse: “A razão de ser da prelatura sempre foi estabelecer um diálogo entre muçulmanos e cristãos. (…) Marawi sempre foi a vitrine da harmonia inter-religiosa aqui nas Filipinas”.

As relações, já tensas pelas disputas econômicas e políticas, deterioraram-se repentinamente em maio do ano passado, quando os jihadistas afiliados ao EI atacaram Marawi, naquilo que se tornou o maior conflito urbano da história moderna das Filipinas. Até 20 pessoas foram mortas, incluindo oito cristãos que se recusaram a converter-se ao islamismo, e outras 240 foram sequestrados, incluindo o padre Teresito Soganub. Os jihadistas filmaram a invasão a Catedral de Santa Maria de Marawi. Pisotearam um quadro do Papa Francisco e destruíram imagens e crucifixos antes de atear fogo no edifício.

Dom De La Peña apontou que a resposta dos muçulmanos ao conflito foi dividida. Alguns muçulmanos chegaram a desafiar os extremistas ao abrigarem cristãos, o alvo dos militantes. Disse também que a comunidade muçulmana local se ressentia com as forças armadas filipinas, julgando-a por causar mais danos a Marawi ao realizar ataques aéreos sobre a cidade.

Ele disse que os grupos terroristas que sobreviveram à guerra perceberam que a melhor maneira de prolongar o conflito com o governo era tomar tantos reféns quanto possível – especialmente sacerdotes católicos e freiras. Perguntado sobre as implicações desta ameaça, o bispo disse à ACN: “Não podemos pagar por segurança. Precisamos ter muito cuidado”.

O secretário-geral da ACN, Philipp Ozores, que visitou Marawi recentemente, sublinhou a importância do trabalho de paz de Dom Edwin De La Peña, dizendo: “A percepção dos jovens muçulmanos está mudando graças ao trabalho do bispo. Gostaríamos muito de continuar a apoiar a missão da prelatura”.

Em setembro de 2017, a ACN forneceu recursos para provisões de emergência à pessoas deslocadas em Marawi. No mês passado, a #RedWednesday – campanha internacional da ACN que promove a liberdade religiosa – atraiu um enorme apoio nas Filipinas, com mais de 75 catedrais e outras grandes igrejas que se iluminaram durante o evento aderindo à causa.

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