//Martin Baani – A história de um seminarista

Martin Baani – A história de um seminarista

2016-09-22T18:45:30+00:00outubro 20th, 2014|Notícias|

Enquanto o grupo Estado Islâmico avançava, ele levou o Santíssimo da igreja e fugiu.

Bombas caiam e o som da explosão enchia os corações do povo de choque e medo. Ao som de choro e atividade frenética, as pessoas arrumavam os pertences que conseguiam carregar para fugir à noite. Em meio a tudo isso estava Martin Baani, um seminarista de 24 anos de idade. Ele começava a perceber que esta seria a última vez em Karamlesh. Por 1.800 anos, o cristianismo teve um lar neste local, cheio de resquícios da antiguidade. Mas agora estava prestes a ser dominado pelo Estado Islâmico que avança em sua direção.

O celular de Martin toca: um amigo que gagueja a notícia de que a cidade vizinha de Telkaif foi dominada pelo “Daesh” – o nome árabe para Estado Islâmico. Karamlesh certamente será a próxima. Martin corre para fora da casa de sua tia, onde está hospedado, e segue para a igreja de Santo Addai, próxima dali. Ele leva o Santíssimo, um pacote de papéis oficiais e caminha para fora da igreja. Do lado de fora um carro o espera – o padre de sua paróquia, o padre Thabet, e três outros sacerdotes. Ele entra e o carro acelera. Eles deixam Karamlesh e os últimos vestígios da presença cristã da aldeia vão com eles.

Falando com Martin na calma do Seminário de São Pedro, em Ankawa, é difícil imaginar que ele descreve algo além de um sonho ruim. Mas não há nada de sonhador na expressão de Martin. “Até o último minuto, o Pashmerga [as forças armadas curdas que protegem as aldeias] estavam nos dizendo que era seguro. Mas depois soubemos que eles estavam montando grandes armas no monte de Santa Bárbara [na fronteira da aldeia] e compreendemos então que a situação era muito perigosa.”

Fazendo um balanço daquela terrível noite de 06 de agosto, a confiança de Martin é reforçada pela presença de outros 27 seminaristas em São Pedro, muitos deles com suas próprias histórias de fuga das garras dos militantes islâmicos.

Martin e seus colegas de sacerdócio sabem que o futuro é sombrio no que diz respeito ao cristianismo no Iraque. A comunidade de 1,5 milhão de cristãos antes de 2003 caiu para menos de 300 mil e, daqueles que permanecem, mais de um terço estão foragidos. Muitos, se não a maioria, buscam uma nova vida em um novo país. Martin, no entanto, não é um deles. “Eu poderia facilmente ir”, ele explica calmamente. “Minha família vive agora na Califórnia. Já me foi dado um visto para ir para os Estados Unidos pra visitá-los. Mas eu quero ficar. Eu não quero fugir do problema”.

Martin já feza escolha que marca os sacerdotes que decidiram permanecer no Iraque: sua vocação é para servir o povo, venha o que vier. “Temos que lutar por nossos direitos, não devemos ter medo”, explica. Descrevendo em detalhes o trabalho de socorro de emergência, que tem ocupado muito de seu tempo, é fácil ver que ele sente que seu lugar é lá com as pessoas.

Martin já é diácono. Agora, em seu último ano de teologia, a ordenação ao sacerdócio é – se Deus quiser – daqui a alguns meses. “Agradeço por suas orações”, diz Martin, ao se despedir. “Contamos com o vosso apoio.”

A Ajuda à Igreja que Sofre está empenhada em apoiar Martin e todos os seminaristas no Seminário de São Pedro, em Ankawa, em seu caminho para o Altar de Deus e para servir a Deus e seu povo sofredor como sacerdotes.

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