//Iraque: conflitos e eleições

Iraque: conflitos e eleições

2014-04-28T13:13:42+00:00abril 28th, 2014|Notícias|

Nessa semana, o Iraque passa por eleições para um novo Parlamento, mas o que esperam os cristãos do país?

Com as eleições parlamentares tão próximas, quarta-feira, dia 30 de abril, os representantes da Igreja Católica do país têm grande expectativa. Em entrevista à Associação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o Arcebispo Caldeu de Mosul, Dom Amel Nona, disse: “Queremos que nosso país volte a uma situação estável, em que todos possam viver em paz”. Segundo ele, o Iraque precisa encontrar uma saída para a situação em que se encontra há 11 anos, desde a guerra do Iraque. “Os iraquianos estão cansados do que acontece no país”. Como exemplos, assinalou a precária situação da segurança nas cidades, a corrupção, a má situação econômica e a emigração de pessoas com boa formação acadêmica.

Já o Bispo do Patriarcado Caldeu de Bagdá, Dom Saad Sirop Hanna, em conversa com a AIS, sublinhou: “os olhos do povo iraquiano estão nas eleições. Para muitos, são uma esperança de um futuro melhor”. Segundo ele, a Igreja se esforça para animar os fiéis a participarem das eleições. “Nossa tarefa consiste em reforçar a confiança do cidadão cristão nas instituições públicas e em melhorá-las do ponto de vista dos Direitos Humanos”. Segundo o bispo, também há candidatos cristãos; uma parte para as cadeiras parlamentares reservadas por cotas, outra parte pelos democratas e liberais – que agrupam islâmicos e não islâmicos.

Entretanto, Dom Saad Hanna se mostra pouco otimista quanto à eleição de candidatos cristãos. “Todos os partidos não cristãos têm seus próprios interesses e linha de ação, marcados por princípios ideológicos e religiosos. Esses partidos carecem de amadurecimento cívico e democrático. Estão tão obstinados por sua agenda que torna muito difícil combiná-la com os princípios e interesses da comunidade cristã. Segundo o Arcebispo Nona, os cristãos têm interesses muito básicos: “Como cristãos, fundamentalmente o que queremos é uma autêntica paz no país, o respeito aos Direitos Humanos e a possibilidade de a população viver suas vidas sem medo de sofrer um ataque por sua crença religiosa. Um estado laico seria a solução. Me refiro a uma constituição para todos os cidadãos e não só para uma maioria”. De acordo com o Bispo Hanna, o futuro dos cristãos depende de uma legislação que garanta a igualdade, a liberdade e a dignidade humana para todos.

As eleições paras as 328 cadeiras do Parlamento iraquiano acontecem em meio a uma precária situação de segurança. Segundo informações das Nações Unidas, o ano de 2013 foi o mais sangrento desde 2008, foram 8.868 mortos no país. Em 2014 os atentados continuam; até o final de março foram 2028 mortos em atentados no Iraque. Além de milhares de feridos. Os embates do último ano são decorrentes da contraposição de xiitas e da maioria sunita do país, ocorridos especialmente na província de Anbar, entre o Governo e grupos sunitas radicais.

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