//Índia: garantias governamentais e perseguição dos cristãos caminham juntas

Índia: garantias governamentais e perseguição dos cristãos caminham juntas

2015-04-10T12:20:54+00:00abril 10th, 2015|Notícias|

“Três policiais tentaram me arrastar para longe. Mas eu resisti. Em seguida cerca de meia dúzia deles me levantaram com um deles me sufocando pelo pescoço, e me colocaram no ônibus da polícia.” A vestimenta sacerdotal deu ao Padre Denny George pouca proteção.

Em contato com a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, Padre George, um sacerdote da arquidiocese de Nova Delhi, relatou que a sua ofensa foi tentar se juntar a uma manifestação contra a profanação e ataques a cinco igrejas católicas na capital indiana, bem como, meses de assédio hindu aos cristãos em todo o país.

A agitação incitou o líder político da Índia a tomar uma ação. “Meu governo não vai permitir que qualquer grupo religioso, pertencente tanto à maioria quanto a minoria, incitem o ódio contra os outros, aberta ou veladamente”, declarou o primeiro ministro indiano Norendra Modi em 17 de fevereiro.

“O meu governo dará igualdade de respeito para todas as religiões”, disse Modi, enquanto presidia as festividades para homenagear dois novos santos indianos, Chavara Elias Kuriakose e Irmã Eufrásia, que foram canonizados no Vaticano em novembro do ano passado.

“Não podemos aceitar a violência contra qualquer religião sob qualquer contexto. Meu governo vai atuar fortemente neste aspecto”. Proclamou Modi antes de um encontro da elite católica com mais de 1.000 pessoas, incluindo uma dúzia de bispos e centenas de padres e freiras.

Com essa conversa, Modi quebrou seu prolongado silêncio durante meses de assédio e violência que assolam os cristãos e outras minorias religiosas por extremistas hindus, incentivados pela vitória eleitora em maio de 2014 do partido nacionalista BJP, que os levou ao poder. Mas o discurso do primeiro ministro teve pouco efeito até agora. O discurso de ódio contra os cristãos, suas reconversões públicas e o tratamento violento dado por parte das autoridades públicas não diminuíram.

As garantias de Modi vieram após protestos de cristãos e de ativistas seculares, que culminou em uma marcha de rua silenciosa sem precedentes feita por 140 bispos católicos em seis de fevereiro, em Bangalase, no sul da Índia.

“O silêncio dos responsáveis por defender nossos direitos constitucionais e sua incapacidade de proteger a comunidade é realmente frustrante”, disse uma declaração feita na conferência dos bispos indianos, lançada na marcha e vigília à luz de velas.

O protesto histórico seguiu uma repressão feroz da polícia contra manifestantes cristãos, ocorrida no dia anterior, no qual padre George foi pego. Mulheres, crianças, freiras e sacerdotes foram jogados nas vans da polícia, nas portas da catedral do Sagrado Coração de Jesus, quando eles estavam preparando uma marcha até as proximidades da residência do ministro do interior, para protestar contra o incêndio e profanação de pelo menos cinco igrejas católicas em Nova Delhi nos dois meses anteriores.

Mesmo antes de a mídia terminar de analisar a importância das declarações de Modi, um líder nacionalista hindu mirou com respeito uma figura católica. “É bom trabalhar por uma causa com intenções altruístas. Mas o trabalho de Madre Teresa de Calcutá tinha um motivo além, que eraconverter a pessoa que estava sendo servida ao cristianismo”, disse Mohan Bhagwat, chefe do Rashtriya Swayamsevak Sangh, o corpo de voluntários nacional ou RSS, que é considerado a fonte do nacionalismo hindu abraçada pela BJP. Esses comentários incendiários causaram comoção nacional que ecoou até mesmo no Parlamento.

O Padre George não esquecerá tão cedo o tratamento que recebeu por parte da polícia na porta da Catedral do Sagrado Coração, onde mais de 500 leigos se reuniram para protestar contra os ataques as igrejas católicas.

“Quando vi a brutalidade da polícia, pegando e arrastando as pessoas, até mesmo as mulheres para as vans, eu (de batina) avancei para detê-los”, disse à Ajuda à Igreja que Sofre. Ele acrescentou: “Agora eu me sinto feliz por isso ter acontecido comigo. Eu tinha uma noção do que o nosso povo tem experimentado aqui e ali. Isso não me assustou, mas apenas me inspirou”.

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