“A família é a primeira célula vital da sociedade”, escreveu João Paulo II, e Bento XVI completa: “A família é o núcleo de toda ordem social”. Por isso “o futuro do mundo e da Igreja passa pela família”.

Para os tempos de hoje, essas são frases cheias de conteúdo, quase que impossíveis de serem avaliadas. De fato: nenhum programa político, nenhuma doutrina social é tão favorável à família como o ensinamento católico. Nenhuma organização se identifica tanto com a família como a Igreja. “A família é a Igreja doméstica”, pregava sempre João Paulo II. Ele e o seu sucessor justificam “o sentido dessa ideia tradicionalmente cristã” com o fato de que “o lar representa uma pequena imagem da Igreja”. Pois da mesma forma que a Igreja, como “sacramento do amor de Deus” também é “comunidade de fé e de vida”, assim, “da mesma forma a família também é comunidade de vida e de amor. Ela educa e conduz seus membros à plena maturidade humana e está a serviço do bem de todos no seu percurso de vida”.

Essa identificação entre Palavra e Vida deve ser aplicada concretamente. A Ajuda à Igreja que Sofre faz isso com a Bíblia das Crianças: um livro da família, um “registro genealógico” espiritual. Ela é um instrumento de evangelização. Para muitas crianças essa Bíblia é o único livro que têm. Nela aprendem a ler, e é uma leitura no Livro da Vida. Nela aprendem a rezar, e é uma oração com imagens do mundo delas: fazer o bem para os outros, como o samaritano; fazer sacrifícios, mesmo não tendo nada, como a pobre viúva; desculpar e perdoar, assim como o pai misericordioso estreitou de novo em seus braços o filho pródigo; ser fiel e leal nas coisas pequenas, como o administrador; e modesto, como o convidado ao banquete. São experiências marcantes, essas parábolas lidas pela mãe, pelo pai ou pelos avós, ou apresentadas por um catequista a um monte de crianças debaixo de uma árvore da comunidade. Não é raro as crianças aprenderem de cor os textos, tornando-se assim portadoras do Evangelho, parte da Igreja doméstica.

Mas hoje temos de começar mais cedo ainda. O casal é a pedra fundamental da Igreja doméstica; o matrimônio é “a forma mais íntima e abrangente da amizade pessoal” escreve Paulo VI na Humanae Vitae. Graças a vocês podemos apoiar muitos projetos na Índia, Ásia, África e América Latina, em que a doutrina da Igreja sobre matrimônio e família é esclarecida e exposta para o dia a dia concreto. Disso também faz parte a consciência de que “o amor conjugal comporta uma totalidade na qual entram todos os componentes da pessoa” (João Paulo II), e até por isso mesmo é insolúvel.

Os aspectos do matrimônio e da família são multiformes, assim como é multiforme o ensinamento da Igreja a esse respeito. Mas sempre se trata da felicidade, já decantada pelos santos Padres da Igreja e que, como escreve Agostinho, “consiste na alegria gerada pela Verdade. E essa Verdade se encontra em Ti, Senhor, em Ti, a mais excelsa Verdade”.