//Governo é acusado de negligenciar ajuda aos cristãos

Governo é acusado de negligenciar ajuda aos cristãos

2014-10-07T17:18:45+00:00outubro 7th, 2014|Notícias|

O Governo do Iraque é culpado de não ajudar os cristãos desesperados para fugir da milícia do Estado Islâmico (EI), de acordo com o Arcebispo caldeu, Bashar Warda, de Erbil. O bispo disse que o governo nacional do Iraque em Bagdá “não fez nada, absolutamente nada” para os 120 mil cristãos que procuram refúgio longe das áreas aterrorizadas pelos extremistas.

Dom Warda disse que os cristãos deslocados de sua diocese e nas proximidades da região de Dohuk estão cada vez mais preocupados com o futuro após dois meses longe de suas casas em Mossul e nas Planícies de Nínive. Com o avanço das forças do EI, eles fugiram em um piscar de olhos, deixando todos os seus pertences para trás.

O arcebispo passou a afirmar que os líderes muçulmanos não conseguiram, de forma satisfatória, condenar a violência que foi levantada em nome do Islã e que resultou na fuga de todos os cristãos de sua antiga pátria bíblica. Citando exemplos de muçulmanos, vizinhos de longa data, saqueando as casas dos cristãos que fugiram, o arcebispo Warda disse que muitos dos seus fiéis se sentiram “traídos” e agora estavam mais propensos a fugir do país.

Em entrevista à Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), Dom Bashar Warda disse: “A realidade é que os cristãos não receberam o apoio do governo central. Nada foi feito por eles, absolutamente nada… não cumpriu seu compromisso com o povo”. Ele também disse: “O governo em Bagdá recebeu muita ajuda da comunidade internacional para as pessoas deslocadas de Mossul e Nínive, mas não houve nenhum sinal disso aqui.” Dom Warda confirma a ajuda de Bagdá para os muçulmanos deslocados, mas não cristãos.

O arcebispo disse que o governo regional curdo em Erbil havia deixado claro desde o início da crise que não poderia oferecer ajuda financeira porque, desde 01 de janeiro de 2014, haviam deixado de receber subsídios de Bagdá.

Dom Warda, que ao lado de outros bispos coordenou um programa de fornecimento de comida e alojamento de emergência para as pessoas deslocadas, disse que a tarefa de auxiliar os cristãos tinha caído quase que exclusivamente para a Igreja. “Nós nunca esqueceremos as vozes de solidariedade que recebemos desde o primeiro dia da tragédia. As estruturas eclesiais foram nos ajudando desde o primeiro dia e continuam mesmo depois de muito tempo , quando as manchetes já não falam mais a respeito.”

Ele elogiou a Ajuda à Igreja que Sofre e outras organizações que estão fornecendo alimentos de emergência, alojamento e outros tipos de ajuda básica para os cristãos deslocados.

Referindo-se à resposta de líderes muçulmanos para os ataques sobre as comunidades minoritárias, o arcebispo Warda disse: “Nós não tivemos uma acusação clara do EI por parte dos líderes muçulmanos.” Dom Warda completa que os líderes muçulmanos pareciam preocupados apenas com a forma como os ataques tinham prejudicado a reputação internacional do Islã.

Numa outra crítica à comunidade muçulmana, ele citou exemplos de muçulmanos em Mossul que cometeram atrocidades contra seus vizinhos cristãos. Um católico de Mossul havia reconhecido por imagens de vídeo um amigo e vizinho arrancando a cruz de uma igreja vazia por causa da evacuação dos cristãos.

“Nós visitamos as tendas dos refugiados todos os dias e eles dizem que gostariam de voltar para suas casas, mas como eles poderiam viver entre pessoas que, aparentemente, eram amigos e vizinhos, quando agora se fazem inimigos declarados?” Dom Warda finaliza comentando que um dos refugiados cristãos em Mossul recebeu um telefonema de um vizinho que lhe disse que tinha entrado em sua casa e, sem autorização, tinha tomado o seu dinheiro, dado metade ao EI e ficando com o resto para ele.

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