//Governo chinês tem intensificado perseguição religiosa

Governo chinês tem intensificado perseguição religiosa

2014-11-27T15:54:32+00:00novembro 27th, 2014|Notícias|

“Não devemos ter esperanças. Eu não vejo qualquer sinal de uma melhora imediata nas relações entre China e Santa Sé”, disse à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) o cardeal Joseph Zen Ze-kiun, ex-bispo de Hong Kong, depois de falar no Simpósio da Asia News realizado em 18 de novembro na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma.

Aos oitenta e dois anos de idade, o bispo disse acreditar que uma reaproximação, como todo relacionamento, depende de ambos os lados, e não é possível esperar qualquer melhora até que o governo chinês faça uma verdadeira mudança de sua política. “O Santo Padre está consciente da situação – salientou o cardeal – ele é paciente e pronto para trabalhar duro para melhorar o relacionamento e a situação da Igreja na China, mas ele também está consciente de que o caminho pode ser longo”.

Falando sobre a situação dos católicos na China, cardeal Zen criticou o governo. “O Governo chinês intensificou a perseguição recentemente. Vimos igrejas demolidas, cruzes tiradas dos edifícios, por isso não há muito o que podemos esperar de imediato. A Igreja ainda está escravizada ao governo”.

Cardeal Zen também acredita que este não é o momento para o Papa visitar a China. “Se me perguntar sobre isso, vou recomendá-lo fortemente para não ir, porque as circunstâncias atuais não são as mais favoráveis”. De acordo com o cardeal, o governo chinês parece não fazer qualquer esforço para melhorar a situação da Igreja, nem a relação com o Vaticano, e uma viagem papal irá provavelmente ser manipulada por Pequim. “Eles não vão deixar o Papa conhecer as pessoas com quem ele gostaria de se reunir e eles vão tentar forçar Francisco a se encontrar com pessoas que eles querem que ele conheça. O único resultado dessa visita seria pessoas boas sofrendo e a boa vontade do Papa sendo mal utilizada”.

O cardeal também conversou com a AIS sobre a situação atual em Hong Kong, onde os protestos contra o novo plano da China para Hong Kong 2017 ainda estão acontecendo. Os protestos começaram quando autoridades tentaram arruinar as próximas eleições ao restringir a lista de candidatos “aceitáveis”. Cardeal Zen apoiou fortemente o chamado protesto Ocupe o Centro, e ele mesmo marchou nas ruas entre os alunos que iniciaram a ocupação pacífica do distrito financeiro da cidade. “Nós não podemos esperar vencer imediatamente – disse ele a AIS – mas enquanto nós temos a liberdade de expressão, devemos continuar lutando, mesmo que a vitória não esteja próxima”. Cardeal Zen também criticou os líderes dos estudantes que acreditavam que eles poderiam facilmente vencer. “Devemos permanecer unidos como estávamos no início do protesto, mas os líderes dos estudantes começaram a correr por conta própria, sem nos ouvir”.

Falando no Simpósio da Asia News, o cardeal disse que quando o Papa Francisco o cumprimentou depois de beatificação da missa de Paulo VI, lhe disse: “Este é o único que luta com um ‘estilingue'”, referindo-se a sua participação nos protestos. “Ele não queria tirar sarro de mim, mas me incentivar. Quando ele estava em Buenos Aires, ele sempre lutou pela liberdade e para os pobres. Por isso ele entende a nossa posição”. O cardeal Zen destacou o forte apoio da Igreja de Hong Kong para o povo. “A Igreja, graças a uma Comissão competente para a Justiça e Paz, está apoiando a população na sua luta pela democracia, seguindo ao pé da letra a doutrina social da Igreja”.

Em seguida, ele terminou o seu discurso de modo irônico: “Quando eu estiver de volta a Hong Kong, eu poderia me entregar à polícia por ter cometido um ato de desobediência civil. Espero que eles me prendam por alguns dias, assim eu terei tempo para rezar por todos vocês”.

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