//Funeral de mais 5 mártires sírios

Funeral de mais 5 mártires sírios

2018-05-11T13:13:02+00:00 Maio 19th, 2017|Notícias|

No dia 25 de abril, em Damasco, o Patriarca greco-melquita Gregório III Laham, de Antioquia, finalmente celebrou a Missa de Exéquias para cinco cristãos sírios que haviam sido sequestrados em 2013 por rebeldes islâmicos extremistas na cidade de Maaloula. Após a Missa, seus corpos foram finalmente transladados para serem enterrados nessa cidade de maioria cristã de onde eram originários.

 

De acordo com informação dada à ACN – Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre – por fontes de dentro do patriarcado católico melquita, os restos mortais não identificados de cinco corpos foram descobertos há três meses em uma caverna na região libanesa de Irsal, na fronteira com a Síria. Após as investigações e testes necessários, os restos foram finalmente identificados como pertencentes a 5 dos 6 indivíduos raptados no dia 7 de setembro de 2013 pelo Jabhat al-Nusra (uma das facções rebeldes envolvidas no conflito sírio). Ainda não há notícias sobre a sexta pessoa, que foi raptada na mesma ocasião, de acordo com tais fontes. As autoridades libanesas entregaram oficialmente os restos mortais às autoridades sírias na cidade fronteiriça de Jdeidet Yabous, de onde foram transferidos para Bab Touma, subúrbio predominantemente cristão da capital síria, Damasco, onde o funeral foi realizado. Todos os cinco indivíduos eram cristãos, quatro deles pertencentes à Igreja Greco-Melquita e um à Igreja Ortodoxa Grega.

“Um amor que é mais forte que a morte”

Gregorio III Laham em missa de exéquias de 5 mártires, 25/04/2017- Damasco
Gregório III deixa linda mensagem sobre martírio.

Em sua homilia, o Patriarca Gregório III Laham falou da força de um amor que é mais forte do que a morte: “Não há amor maior do que dar-se pelos amigos! Jesus Cristo entregou a sua vida por nós; nossos mártires entregaram suas vidas pelo amor a Jesus Cristo, que morreu na cruz e voltou à vida por nós”.

O patriarca também enfatizou a fortaleza da fé de “nossos cinco mártires” (Ghassan Shanis, Dawoud Milaneh, Chadi Taalab, Atef Kalloumeh, Jihad Taalab), que agora “se juntam aos mártires de 7 de setembro de 2013″ (Michael Taalab, Antoun Taalab e Sarkis Zakhm), que foram assassinados depois de terem declarado crer em Jesus Cristo, recusando-se a negar sua fé para proteger suas vidas”. Referindo-se à sexta vítima, o Patriarca Gregório acrescentou: “Também nos lembramos de nosso amado Moussa Shanis, desaparecido”. E incluiu em suas orações todos os cristãos assassinados por sua fé no Oriente Médio nos últimos anos: “Lembramos de todos os nossos mártires, os mártires cristãos de toda a Síria, especialmente em Homs, Alepo, Damasco e Hauran, e também dos mártires do Cairo, de Alexandria, de Bagdá, de Mosul e da Planície de Nínive.

Um povo que não para de sofrer

Falando por telefone à ACN, o Padre Toufic Eid, pároco de Maaloula, descreveu a atmosfera calma e pacífica entre os que acompanharam o cortejo fúnebre de Damasco a Maaloula: “Na tradição popular síria, o povo canta e grita para expressar sua tristeza, mas nessa ocasião as pessoas se abstiveram de fazer isso e, em um profundo, respeitoso e doloroso silêncio, acompanharam os caixões que foram carregados sobre os ombros de familiares e amigos.

Cortejo de 5 mártires sírios
O cortejo

Maaloula, uma das últimas comunidades no mundo onde o aramaico ainda é falado como a língua principal, está localizada a cerca de 57 quilômetros de Damasco. Entre setembro de 2013 e 20 de abril de 2014 foi sitiada, atacada e, por fim, ocupada por facções rebeldes sírias. “Al-Nusra, Estado Islâmico, Frente de Libertação Síria – você pode chamá-los do que quiser, já que eles são todos iguais. Os nomes mudam de acordo com quem os financia naquele momento particular”, diz ironicamente Padre Toufic. “Podemos dizer que foi depois da libertação de Maaloula pelas forças do governo no dia 20 de abril de 2014 que o contato com os cristãos sequestrados foi perdido. Não sabemos o que lhes aconteceu depois dessa data. Por enquanto, não temos nenhuma informação exata sobre quando foram assassinados”.

O mesmo sobrenome, Taalab, aparece quatro vezes na lista de mártires nomeados pelo Patriarca Gregório durante sua homilia fúnebre: Chadi, Jihad, Michael e Antoun. Padre Toufic confirmou que todos pertencem à mesma família. “Sanna, que perdeu seu marido Michael e seu sobrinho Antoun em setembro de 2013, está agora chorando por seu filho Chadi e seu irmão Jihad. É difícil. Esses acontecimentos forçaram o povo de Maaloula a reviver todos os horrores daquele tempo, o que provocou angústia, dor e raiva”.

Perguntado sobre como alguém pode responder de maneira cristã a esse sentimento natural, Padre Toufic respondeu: “Como levar as pessoas a perdoarem? O perdão é parte integrante da nossa fé, mas é tão difícil. Leva tempo. E eu lhes digo que não é para o bem dos outros, para o bem da outra pessoa. Nós temos que percorrer o caminho do perdão para o nosso próprio bem, para o nosso relacionamento com Deus. Temos que perdoar, porque se não o fizermos, fazemos um pacto com o mal, nosso coração se enche de ódio e fica cego. O mal procura prevalecer dentro de nossos corações e temos que lutar contra isso”. Uma questão diferente para o sacerdote é a da reconciliação. “Isso também é importante, mas para a reconciliação você precisa de ambas as partes. Um tem que perdoar, mas o outro também tem que sentir arrependimento e reconhecer a responsabilidade por suas ações. Se isso não acontece, a reconciliação não é possível”.

Seis anos de guerra

Por 6 anos, uma terrível guerra tem devastado a Síria. Seis milhões e trezentos mil deslocados e treze milhões e meio de pessoas dependem agora de ajuda humanitária. Isto é, aproximadamente, dois terços da população do país. Além disso, cerca de 5 milhões de pessoas estão oficialmente registradas como refugiados nos países vizinhos. Muitas crianças mais novas não conheceram nada além de guerra e exílio.

O patriarcado católico melquita em Damasco pediu à ACN ajuda no fornecimento de alimentos para cerca de 1.500 famílias de refugiados que vivem em áreas rurais ao redor da capital de Damasco. A ideia é fornecer as necessidades elementares, como leite para crianças, lentilhas, açúcar, chá, óleo de conservas e outros suprimentos básicos para os próximos três meses. Quinze voluntários irão distribuir a comida em três centros.

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