//“Elas fugiram no último minuto”

“Elas fugiram no último minuto”

2015-01-26T11:09:34+00:00janeiro 26th, 2015|Notícias|

O convento de Irmã Sanaa e de suas companheiras de consagração foi destruído pelo grupo Estado Islâmico (EI) – a AIS tem ajudado freiras e sacerdotes no recomeço.

Em 2014, mais de 120.000 cristãos, entre eles dezenas de sacerdotes e religiosos, tiveram que fugir do Estado Islâmico no Iraque. Muitos encontraram refúgio nas regiões autônomas curdas do Iraque depois de terem perdido tudo – assim como a irmã Sanaa, superiora da comunidade Irmãs do Sagrado Coração, em Mossul. “O EI explodiu nosso convento em Mossul em 24 de novembro. Eles primeiro tentaram explodir as quatro cruzes no telhado. Em seguida, eles destruíram todo o edifício. Nós não sabemos por que exatamente”, relatou. “Isso nos deixou muito triste. Foi um momento crítico para nossa comunidade. Afinal, ele foi o nosso lar espiritual por muitos anos. Tivemos um programa pastoral ativo na cidade, mantivemos um lar para idosos entre outras coisas”.

No entanto, o sofrimento das irmãs começou meses antes da explosão que destruiu o convento. Na época, irmã Sanaa não estava na cidade. Ela retornava de uma viagem e queria chegar até suas irmãs a todo custo. No entanto, todas as vias de acesso haviam sido bloqueadas desde o início de junho. “Dias antes de a cidade cair completamente nas mãos do EI, ferozes batalhas foram travadas entre o exército e os jihadistas. Nosso convento estava bem no meio. Havia fogo pesado constante. As irmãs estavam muito assustadas e, por isso, deixamos o convento e fomos para outra casa, também em Mossul. Elas conseguiram fugir um pouco antes do EI tomar a cidade. Foi realmente no último minuto”, ela relatou.

“Nossas irmãs foram capazes apenas de consumir o Santíssimo Sacramento antes de fugirem. Elas não queriam que ele caísse nas mãos dos jihadistas. No entanto, infelizmente, elas tiveram de abandonar o Tabernáculo. Não havia espaço suficiente no carro. “A comunidade de freiras, em seguida, fugiu para Tilkef, uma cidade parcialmente cristã perto de Mossul. As irmãs dirigiam uma empresa de impressão de livros litúrgicos em Tilkef. No entanto, elas logo tiveram que fugir mais uma vez. O Estado Islâmico também havia conquistado Tilkef.

Irmã Sanaa, no entanto, criou coragem mais três vezes depois da queda de Mossul para voltar à cidade que agora está nas mãos dos guerreiros sagrados do Islã. “Afinal de contas, nós fomos forçadas a deixar todo o nosso arquivo para trás. Como madre superiora do convento, eu considerei que era meu dever salvá-lo. Afinal, ele contém documentos importantes que representam cem anos de memória de nossa comunidade”. Voluntários se juntaram a ela nesta jornada extremamente perigosa. “Eu não queria levar ninguém comigo. Era muito perigoso, depois de tudo. Outras freiras foram sequestrados pelo EI”. Ela conseguiu passar por postos de controle vigiados por combatentes barbudos do EI. O arquivo foi salvo.

Hoje, a irmã mora em Ankawa, um subúrbio cristão da capital regional curda de Erbil. A Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre tem prestado apoio financeiro às vinte freiras da congregação para que possam recomeçar. Além disso, uma escola temporária está sendo montada para os filhos dos refugiados cristãos. As irmãs irão ensinar nela, ganhando assim um salário do governo. Isso irá ajudá-las a garantir seu futuro. Uma máquina para a produção de hóstias, também adquirida com a ajuda da AIS, que ainda contribui para a subsistência delas. As irmãs ainda costuraram batinas e paramentos litúrgicos para padres que tiveram que deixar tudo para trás enquanto fugiam. Tal como Padre Janan.

O monge sírio-católico atualmente mora com seus co-irmãos em um assentamento perto Erbil. A igreja alugou vários apartamentos lá com a ajuda da AIS. “Fugimos de Bakhdida em 6 de agosto. Nós deixamos até nossas carteiras de identidade para trás, porque tudo tinha que ser rápido. Nós pensamos que os combatentes curdos nos protegeriam. No entanto, quando, de repente, tudo estava destruído, largamos tudo e fugimos.” Eles não conseguiram levar nada com eles. “Nossos companheiros monges nos deram paramentos litúrgicos e Bíblias para que pudéssemos celebrar a liturgia. Estamos tentando continuar nossa vida monástica aqui o melhor que podemos”, ele disse e mostrou a capela temporária que eles criaram no piso térreo da casa. “A Liturgia das Horas da manhã, tarde e noite fornecem estrutura para o nosso dia. E, claro, nós celebramos a Santa Missa.”

A missa é realizada em uma barraca que serve como uma igreja para os refugiados. Cadeiras de plástico são acomodadas sob uma lona branca. Dezenas de mulheres se reuniram para rezar o rosário. Os únicos adornos são um ícone do Redentor e Mãe de Deus. “Nós celebramos a Santa Missa aqui. Temos também batizado crianças aqui. É importante que este assentamento de refugiados tenha um coração espiritual. Podemos ter perdido nossas casas, mas Deus está conosco em todos os lugares.”

One Comment

  1. Evander Junio Chagas dos Santos 4 de março de 2015 at 15:01 - Reply

    “Nossas irmãs foram capazes apenas de consumir o Santíssimo Sacramento antes de fugirem. Elas não queriam que ele caísse nas mãos dos jihadistas. No entanto, infelizmente, elas tiveram de abandonar o Tabernáculo. Não havia espaço suficiente no carro. “A comunidade de freiras, em seguida, fugiu para Tilkef, uma cidade parcialmente cristã perto de Mossul. As irmãs dirigiam uma empresa de impressão de livros litúrgicos em Tilkef. No entanto, elas logo tiveram que fugir mais uma vez. O Estado Islâmico também havia conquistado Tilkef.

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