//Egito: Cristão e Muçulmanos mais próximos

Egito: Cristão e Muçulmanos mais próximos

2017-01-18T12:58:46+00:00junho 6th, 2016|Notícias|

Depois da reunião no Vaticano entre o Papa Francisco e Ahmed al-Tayeb, o Grande Imã da Universidade muçulmana sunita al-Azhar, as esperanças aumentaram no Egito de que cristãos e muçulmanos fiquem mais próximos.

“Foi a primeira vez que o Grande Imã, da influente Universidade do Cairo, visitou o Papa. Foi claramente uma reunião muito cordial. Pode-se deduzir isto pela linguagem corporal e a familiaridade entre os dois líderes. Acreditamos que esta visita tenha quebrado o gelo nas relações entre o Vaticano e a Universidade Al-Azhar”, declarou o Padre Rafic Greiche, principal porta-voz da Igreja Católica no Egito, em uma entrevista para a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN). “A retomada do diálogo oficial entre católicos e muçulmanos, que foi suspenso pela Universidade Al-Azhar em 2011, pode não ter sido explicitamente anunciada ainda, mas isso é apenas uma formalidade. Estou firmemente convencido de que as negociações serão retomadas”.

A Universidade, que é a instituição islâmica mais importante do Egito e que é altamente respeitada em todo o mundo sunita, tinha unilateralmente suspendido as conversações bilaterais com a Santa Sé por causa da admoestação pública do Papa Bento XVI para que a liberdade religiosa fosse mais respeitada e protegida no Egito. A Universidade Al-Azhar considera que esta foi uma interferência inadmissível nos assuntos internos do Egito. O Papa emérito fez a declaração em resposta ao ataque sangrento contra uma Igreja Copta em Alexandria no Ano Novo em 2011, durante o qual muitas pessoas foram feridas e mortas.

O Padre Rafic falou sobre a reação positiva a esta reunião por parte dos meios de comunicação do Egito. “O encontro foi notícia de destaque tanto na televisão, quanto nos jornais. Em geral, os comentários foram muito positivos.” Ele ainda disse que o encontro não só teve uma dimensão inter-religiosa, mas também ecumênica. “O chefe da Igreja Copta Ortodoxa, o Papa Tawadros, havia incentivado o Grande Imã para iniciar um diálogo com a Igreja Católica em numerosas ocasiões. Uma reunião como esta e a retomada das negociações, naturalmente, não só tem um efeito positivo sobre a relação entre muçulmanos e católicos, mas também para todos os cristãos”.

Padre Rafic enfatizou que, sob a liderança do Grande Imã al-Tayeb, a Universidade al-Azhar está fazendo um esforço para mudar os textos dos livros escolares e livros didáticos utilizados nas escolas e instituições de ensino superior que supervisiona. “Eles estão tentando usar uma nova linguagem em relação a nós cristãos. Mas muita coisa ainda precisa ser feita. Este é um processo que vai levar anos. No entanto, seria ainda mais importante mudar a mentalidade dos Imãs do que mudar os livros”.

Padre Rafic enfatizou ainda que a situação dos cristãos no Egito melhorou muito desde que Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, foi deposto em julho de 2013. “Não há comparação entre a situação hoje e a que predominava durante o governo da Irmandade Muçulmana. Hoje, temos muito boas relações entre os líderes das igrejas cristãs e as agências governamentais. No entanto, existem ainda muitos problemas, é claro. Mas minha impressão é de que os muçulmanos estão cada vez mais conscientes da nossa situação”, disse o padre greco-católico egipcio. “É claro, o mais urgente para nós é a questão dos projetos de construção de igrejas. Isto tem sido sujeito a enormes restrições até agora. Cinco igrejas já apresentaram projetos legislativos para o parlamento. O Presidente do Egito, Sisi, nos pediu para prepararmos um projeto de lei. Esperamos que esta sessão parlamentar ainda delibere sobre isso e que o projeto de legislação seja votado em outubro. Afinal de contas, nunca tivemos tantos cristãos membros do Parlamento e tantos parlamentares muçulmanos do nosso lado. O projeto deverá, naturalmente, ser rejeitado pelos membros salafistas (muçulmanos radicais). Mas não há muitos deles. E por isso estou confiante.”

A Ajuda à Igreja que Sofre tem apoiado a Igreja Católica no Egito por muitos anos. Além de numerosos projetos pastorais, ela também tem apoiado a construção de novas igrejas.

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