//Cristãos lutam para reconstruir suas vidas na Síria

Cristãos lutam para reconstruir suas vidas na Síria

2014-10-14T12:44:14+00:00outubro 14th, 2014|Notícias|

A freira argentina, do Instituto do Verbo Encarnado, que vive em Aleppo, na Síria, há dois meses, Irmã Maria de Nazaré leva a palavra de Deus e ministra o Evangelho a uma comunidade cristã traumatizada pela pior onda de violência de três anos de guerra civil.

Anteriormente na Faixa de Gaza, Irmã Maria de Nazaré conta já ter visto sua cota de violência. “Nossa tarefa neste país é muito especial. Estamos constantemente confrontados com o sofrimento das pessoas. A guerra está tendo um efeito profundamente venenoso sobre a dignidade humana. As pessoas estão perdendo seus entes queridos, a sua liberdade e os seus direitos por causa da violência. Se não bastasse ainda há a pobreza e a falta das condições mais básicas, como eletricidade e água”, diz em recentes relatórios da religiosa.

Ela mora no complexo do Vicariato Apostólico de rito latino em Aleppo, junto de algumas colegas freiras. Todos os católicos romanos da Síria estão no Vicariato Sírio. Relatórios de Irmã Maria afirmam: “Trabalhamos em um albergue feminino de estudantes na universidade local, que é operado pelo Vicariato. Também cuidamos da sacristia e da liturgia na catedral. Além disso, cuidamos para que os fiéis venham visitar a catedral. Nossa principal tarefa é ouvir as pessoas que sofrem, oferecer-lhes palavras de esperança e ajudá-los no melhor possível para que consigam satisfazer suas necessidades mais básicas”. Em suas anotações acrescenta: “Certamente, apenas as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo pode trazer o milagre de semear a semente da esperança nessas almas. Mas a guerra é uma coisa terrível e cruel.”

Dom Jean Abdo Arbach, Arcebispo de Homs, Hama e Yabrud sabe disso muito bem. O líder espiritual Melquita está lidando com enormes danos em sua diocese, cuja história remonta o século 4. Dezenas de igrejas, algumas que datam o início da Igreja local, foram danificadas ou destruídas. “Em fevereiro, um grupo armado invadiu a Igreja de Nossa Senhora de Yabroud, uma igreja do século 4, destruíram os adornos da igreja, quebraram o crucifixo, jogaram os ícones no chão e rasgaram as páginas do Evangelho. Então a gangue queimou o altar “, narra o arcebispo.

No entanto, algumas igrejas não foram destruídas pelos rebeldes, mas pelo exército sírio, como a Igreja de St. George na vizinha Nabek, que desmoronou sob um bombardeio do exército em novembro de 2013.

Não só a infraestrutura da diocese está em terrível estado, mas principalmente o povo da região. “Até o momento, nossa arquidiocese tem contado 96 mártires e o destino de outras 26 pessoas é incerto”, observa o arcebispo. Mais de 1800 famílias da sua diocese deixaram suas casas em busca de segurança em outros lugares na Síria ou fugiram para o Líbano.

“Das minhas visitas às casas das famílias e dos relatórios de meus sacerdotes, fica claro que todo mundo foi ferido pelos trágicos acontecimentos. Começamos a apoiar cerca de 600 famílias com assistência mensal”, diz o prelado, explicando que alta taxa de inflação da Síria está causando a comunidade local uma grande dificuldade: “os preços estão atirando para cima, enquanto os salários estão estagnados.”

Apesar de todas as dificuldades, no entanto, o arcebispo afirma que não há sinais de que a vida espiritual das pessoas está em colapso. Pelo contrário, ele insiste: “a crise provocou um grande retorno à fé e oração entre os que não deixaram suas aldeias Apesar de ter que lidar com o medo e a constante ameaça de bombas, as famílias estão permanecendo fiel às suas convicções religiosas”.

A Igreja local está fazendo o que pode para continuar o seu trabalho catequético para garantir que a fé é passada para crianças e jovens. “Cerca de 3.300 jovens participam em nossas aulas de catequese. Cerca de 350 professores estão cuidando deles” apresentam os relatórios do arcebispo.

Ainda assim, um número de instalações da Igreja onde essas aulas são realizadas foram danificados nos combates. Para isso o arcebispo conta com a ajuda de instituições de caridade católicas para encontrar os meios para reparar e reconstruir. “A nossa Igreja precisa de ajuda de todos os tipos: espiritual, material, médica e psicológica. A Igreja nesta parte da Síria estará em perigo real, se não reagir rapidamente”, adverte.

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