//Crise na Nicarágua: a guerra também é midiática

Crise na Nicarágua: a guerra também é midiática

2018-08-13T09:24:20+00:00agosto 13th, 2018|Notícias|

Fontes próximas à Igreja Católica na Nicarágua denunciam a falta de neutralidade das mídias do país. Deve-se ter cautela com as notícias sobre a grave crise na Nicarágua vivida nos últimos meses. Isso se aplica em especial às histórias postadas nas redes sociais. Muitas delas são falsas como, por exemplo, a notícia que se espalhou na semana passada sobre o assassinato do Bispo Abelardo Mata, da Diocese de Estelí.

A presente guerra em que vivenciamos no nosso país é também uma guerra midiática, onde está sendo travada a maior parte desse conflito”, disse a fonte para a ACN, preferindo permanecer anônima por medo de represálias. Além disso, também foi apontado que “as mentiras, a confusão, o obscurantismo que estamos enfrentando são quase tão perigosos quanto os disparos de armas de fogo; isso porque criam uma psicose de guerra, uma psicose de medo”.

A falta de imparcialidade é encontrada em ambos os lados do conflito do país da América Central. “A mídia estatal não informa quando houve um tiroteio policial ou paramilitar; se o fazem, culpam os Maras” (gangues de organizações criminosas). Os meios de comunicação que se opõe ao governo inventam rumores infundados. “Eles não relatam se policiais ou pessoas alinhadas com o regime são mortas; ou se os escritórios da prefeitura local são incendiados”. Um exemplo disso foi “a morte de três camponeses no último domingo por estarem intimamente ligados à frente sandinista. Essa notícia, no entanto, foi ignorada pela mídia não alinhada com o governo”.

Radicalização no conflito

Além disso, de acordo com a fonte citada, a radicalização de ambos os lados é uma grande preocupação. Tal extremismo está presente desde o início do conflito, em 18 de abril deste ano, quando foi feito um apelo nas mídias sociais para protestar contra as reformas do Instituto de Segurança Social da Nicarágua – as reformas incluíam um aumento nos impostos pagos pelos trabalhadores da Nicarágua, como também cortes nas aposentadorias e pagamentos da previdência social. Assim, os confrontos  eclodiram quando os partidários do presidente Daniel Ortega saíram às ruas em apoio às reformas. Desde então, a repressão e a violência das forças paramilitares pró-governo contra os manifestantes pioraram.

“É importante lembrar que há 30 anos houve uma guerra civil na Nicarágua. As feridas agora estão abertas novamente, e até se aprofundaram. Há muito ódio”. Desse modo, o que há de mais urgente a se fazer no momento é estabelecer “um processo de reconciliação. Os verdadeiros apóstolos são aqueles que falam de perdão, perdão, perdão”.

Apoio da ACN

O Cardeal Mauro Piacenza, presidente internacional da ACN, respondeu ao apelo dos bispos nicaraguenses no seu último comunicado em 14 de julho, e reiterou a importância das campanhas de oração pela Nicarágua que foram promovidas em vários países pela Fundação Pontifícia ACN. “Em tempos difíceis, como o que a Nicarágua tem vivido, o povo vê a Igreja como uma grande fonte de apoio moral. Por essa razão, é essencial auxiliar a Igreja em sua difícil tarefa. A missão da ACN é aliar a ajuda material pastoral com a informação, a fim de chamar a atenção da comunidade cristã e de todo o mundo para essa dolorosa e violenta crise. Pois a oração é a força motriz de toda mudança”, acrescentou o Cardeal Piacenza.

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